Crítica | Em um Bairro de Nova York (In the Heights)

Pequenos detalhes que dizem ao mundo que não somos invisíveis

Era uma vez um filme que consegue fazer você voltar a ter esperança e acreditar nos sonhos. Em Um Bairro de Nova York (In The Height) foi mais um da lista de filmes que foram reagendados para 2021 graças à pandemia, mas, apesar das circunstâncias, veio em um momento certeiro.

Há uma surpresa para vocês no último parágrafo deste texto.

Um filme que muitos brasileiros irão se identificar

Distribuição: Warner Media

A história se passa durante um intenso verão em um bairro de Washington Heights, no Upper West Side de Nova York (como se fosse o subúrbio de lá). Nela, somos apresentados ao personagem Usnavi (Anthony Ramos), porto-riquenho cujo sonho é reabrir um bar em seu país de origem. Para iniciar essa narrativa, vemos um um exuberante número de abertura que mistura rap, ritmos latinos e coreografias contagiantes.

Distribuição: Warner Media

Além disso, nos primeiros 8 minutos do filme há uma apresentação de quase todos os personagens centrais da trama como:

  • Vanessa (Melissa Barrera), por quem Usnavi é apaixonado, trabalha no salão do bairro para realizar o sonho de se mudar para o Downtown (centro da cidade) e iniciar sua carreira de estilista.
Vanessa e Usnavi – Distribuição: Warner Media
  • Benny (Corey Hawkins), amigo de Usnavi, trabalha na central de táxi do bairro para realizar o sonho de ter seu próprio negócio.
  • Nina (Leslie Grace), par romântico de Benny, filha do dono da central de táxi e a primeira da família (e ao que parece do bairro) a cursar uma faculdade.
Benny e Nina – Distribuição: Warner Media
  • Sonny (Gregory Diaz IV), primo de Usnavi, trabalha na mesma mercearia e é imigrante ilegal.
Distribuição: Warner Media
  • Abuela Claudia (Olga Merediz), avó de Usnavi, representante da primeira geração de latinos que imigraram para os EUA no fim da primeira guerra em busca de emprego.
Canção “Paciencia Y Fé” cantada por Abuela Cláudia ( Olga Merediz) – Distribuição: Warner Media

Jon M. Chu surpreende na direção

Assim, com todos os personagens colocados em cena, a história começa a evoluir. E é nesse ponto que a direção de Jon M. Chu surpreende. Tanto as músicas, quanto os números de dança estão encaixados no enredo de tal maneira que, por vezes, você esquece que está assistindo a um musical e outras você esquece que está vendo um filme. Um exemplo é uma cena que ocorre na piscina pública, pois ela começa em uma conversa simples entre Usnavi, Benny e Sonny, mas quando menos se espera, quase todo o elenco está interagindo no assunto da conversa, cantando, dançando… Então, você se pergunta: como eles chegaram aqui?

Distribuição: Warner Media

Além disso, dois pontos altos do filme são as canções “Paciencia y Fe” e ” Carnaval del Barrio”. A primeira trata-se de uma adorável e penetrante canção de exílio e adaptação, cantada por Abuela Claudia, na qual ela se lembra de sua emigração de Cuba ainda jovem nos anos 1940. Nesta canção, a acompanhamos numa jornada desde seu primeiro contato com Nova York até os dias atuais em cenas que que se passam em diversos metrôs e estações da Grande Maçã. Já a segunda, nada mais é do que uma grande exaltação do orgulho latino que convida a todos do cinema a pegarem a sua bandeira e dançar ao ritmo do seu país.

Distribuição: Warner Media

Em meio à toda alegria e energia de um bom musical, o longa traz uma série de críticas sociais

Outro ponto que vale ressaltar é que embora a mensagem central do filme seja a busca dos sonhos e não desistir deles, a realidade dos personagens também não é mascarada. Afinal, a vida de imigrantes no subúrbio de Nova York não é nada fácil. Temas como imigração ilegal, dívidas, discriminação e até falta de luz constantes estão presentes ali. Com isso, questões relacionadas à invisibilidade de certos grupos na sociedade e como a desigualdade social não apenas pode matar um sonho, como atrasar o projetos que poderiam mudar a vida de muitos outros, são abordadas.

Um Bairro de Nova York (In the Heights) é um presente em tempos tão complicados

Antes de concluir este texto, deixo a dica para observar todos os pequenos detalhes do filme. Desde a cena de abertura até o encerramento, todos os elementos indicados na história se encaixam de alguma maneira. Sem contar que o filme ainda possui um dos mais criativos plot twist (reviravolta) a poucos minutos do fim. Portanto, Em Um Bairro de Nova York não é apenas um filme ou adaptação do musical da Broadway de Lin-Manuel Miranda, o longa é como um conto de fadas para adultos repleto de significados bem realistas.

Agora, confira a seguir os primeiros 8 minutos do filme. A surpresa do Kolmeia para você:

Sem dúvidas, é aquele filme que muitos irão adorar assistir mais de uma vez no HBO Max ou nos cinemas (respeitado as medidas de prevenção contra a Covid-19).

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