O Poderoso Chefinho 2: Negócios da Família | crítica

O filme O Poderoso Chefinho foi lançado em 2017 e agora ganhou uma continuação. Embora o primeiro longa tenha sido indicado ao Oscar, não foi tão bem recepcionado por parte da crítica. Entretanto, com o público, a recepção foi incrível. Afinal, a bilheteria da animação ultrapassou os 500 milhões de dólares e o Boss Baby se tornou um ícone pop. Com isso, ganhou uma série na Netflix (O Chefinho de Volta aos Negócios) e hoje estreou o segundo filme da franquia: O Poderoso Chefinho 2: Negócios da Família. O Kolmeia já conferiu a nova aventura da família Templeton e traz uma análise da obra para vocês.

A história de Poderoso Chefinho 2 (Sem spoilers)

O Poderoso Chefinho 2: Negócios da Família, começa com os irmãos Templeton já adultos e distanciados um do outro. A saber, Tim (James Marsden) leva uma vida simples com sua família. Ted (Alec Baldwin), por sua vez, é um rico e bem-sucedido investidor. Diante disso, a família ganha uma nova representante na Babycorp, no caso, Tina (Amy Sedaris), a caçula de Tim. Embora a Poderosa Chefinha tenha uma missão dada pela empresa dos bebês, seu principal objetivo é refazer os laços entre o pai e o tio.

O Boss Baby e a familia Templeton estão de volta em O Poderoso Chefinho 2: Negócios da Família numa nova história que não surpreende, mas entretém. Confira!

A família de Tim, além da bebê Tina, é formada por Carol (Eva Longoria), a mãe trabalhadora e Tabitha (Ariana Greenblatt), a filha mais velha do casal. Por ser uma criança prodígio, Tabitha estuda no Centro Acorn para Crianças Superdotadas. A saber, trata-se de uma prestigiada escola que incentiva a rivalidade e a competição entre seus alunos. Lá ela se torna a primeira da classe, sonhando em ser bem-sucedida como seu tio. Entretanto, Tim teme que, com tanta pressão, a filha acabe perdendo a melhor fase da vida, no caso, a infância.

Ao que tudo indica, instigar rivalidade entre crianças não é o único problema do Centro Acorn. Há segredos bem mais obscuros por trás da escola e de seu misterioso fundador, o Dr. Erwin Armstrong (Jeff Goldblum). Nesse contexto, a Babycorp designa a agente Tina na missão ultrassecreta de desvendar o que há de errado. Porém, nessa missão ela não estará sozinha. Afinal, contará com a participação dos irmãos Templeton, Tim e Ted, que voltam a ser crianças.

Análise de O Poderoso Chefinho 2: Negócios da Família

Produzir uma sequência de filmes muito amados é sempre um desafio. Afinal, o público cria uma referência de qualidade e até uma memória afetiva com o original. Então, a continuação não pode “deixar a peteca cair”, a fim de não quebrar as expectativas do público. Tom McGrath, assim como no primeiro filme, também é o diretor de O Poderoso Chefinho 2: Negócios da Família. Já a produção fica por conta de Jeff Hermann.

A premissa de O Poderoso Chefinho, de 2017, foi bem surpreendente. Afinal, uma organização secreta comandada por bebês super inteligentes foi algo inovador e instigante. Assim sendo, essa é uma surpresa que o público não teria mais. Afinal, já era conhecido o modus operandi da Babycorp. A saída, então, foi construir um enredo mais focado em questões familiares. Isso, certamente, trouxe mensagens bonitas e positivas para o longa: o valor afeto, o desafio de manter os laços depois de se tornar adulto, a importância de tentar entender o ponto do outro.

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Mensagens de afeto e superação, no geral, prendem o público pelo emocional. Mas isso não é suficiente para definir um bom filme, ainda mais se tratando de uma produção para um público bastante jovem. Nisso, o longa peca um pouco, pois falta um caráter mais educativo e lúdico para que os pequenos possam acessar o conteúdo de maneira satisfatória. Por outro lado, as cenas de ação mirabolantes que podem incomodar os adultos, pois não acrescentam à narrativa, são um entretenimento para o público infantil. Para os pais, o filme tenta um diálogo por meio de referências e easter eggs. No fim das contas, acaba ficando no meio do caminho tanto no diálogo com os pais, quanto com os filhos. Uma pena, pois o primeiro filme faz isso de forma magistral.

Fator Dreamworks

Certamente, no que diz respeito a questões técnicas, O Poderoso Chefinho 2: Negócios da Família não deixa nada a desejar. Afinal, trata-se de obra da Dreamworks, sempre impecável em suas produções nesse aspecto. Portanto, enquanto conta a nova aventura dos Templeton, o longa presenteia o público com uma estética muito envolvente. Cenários coloridos e cheios de detalhes, traços bem acabados, expressões faciais convincentes são itens que ajudam a prender o público visualmente. A isso, somam-se os easter eggs bem posicionados para dar um toque a mais a ambientação.

O enredo poderia ser melhor, mas a interpretação, por sua vez é excelente. Sem contar que a dublagem brasileira faz jus ao desempenho dos atores originais, entregando a emoção necessária a cada cena. Para completar, a trilha sonora amarra tudo muito bem. As canções originais conversam bastante com o roteiro, como a música cantada por Tabitha Templeton. Porém, as músicas acrescentadas ao filme também cumprem muito bem o seu papel de criar uma ligação entre público e história, é o caso de It’s Tricky do RUN MDC, que voltou à tona depois de hitar numa trend do TikTok.

Da família Templeton para sua família

Em suma, O Poderoso Chefinho 2: Negócios da Família tem seus altos e baixos, ainda assim é uma produção cativante que dá o gostinho de ver um pouco mais dos já amados irmãos Templeton. Ele traz elementos do primeiro filme, mas que acabam não sendo bem explorados. Um exemplo é a Babycorp, que acaba aparecendo bem menos do que o esperado. De tal maneira, a atuação de Tina como Poderosa Chefinha acaba ficando em segundo plano. Isso, de fato, foi um tanto decepcionante, uma vez que a Templeton caçula estampa o pôster do filme e também porque a Babycorp foi um dos pontos mais interessantes do filme antecessor.

Ainda assim, Tina teve sua importância no desenvolver da trama. A postura mais branda e menos individualista e do que a de Ted foi muito importante para essa nova abordagem. Embora Ted tenha cativado o público com a contradição de ser um bebê fofinho com ego enorme e uma certa arrogância por sempre saber exatamente o que fazer, essas características funcionavam bem para o primeiro filme que se passava num ambiente mais corporativo. Já em O Poderoso Chefinho 2, o foco era a família, então era necessário que a Chefinha fosse consciente disso. Portanto, se no primeiro filme Ted e Tim levaram a história inteira para construir uma relação de fraternidade e colaboração, no segundo, Tina já é super consciente sobre a importância das relações familiares e do trabalho em equipe.

Assim, constrói-se uma história para assistir em família que, no fundo, é uma mensagem de amor da família Templeton para a sua.

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