Sonhar macumbembê e samborembá tem sido a grande arte do povo de Vila Isabel desde meados de 2025. Bairro que abriga a escola tricampeã do carnaval carioca, em 1988, 2006 e 2013: A Unidos de Vila Isabel. Que está disposta a falar um pouco de si e de todas as suas co-irmãs, quando se dispõe a cantar Heitor dos Prazeres, sua musicalidade única e real contribuição para o mundo do samba. E essa é a nossa matéria de hoje, sobre as Escolas de Samba do Rio de Janeiro, às vésperas do Carnaval do Rio.

Heitor é um precursores do Samba brasileiro
Multi-instrumentista, compositor de mais de 300 canções, Heitor dos Prazeres nasceu no berço do samba: O Rio de Janeiro. Criado, inclusive frequentando a casa de pessoas que “fundaram” o samba, como Tia Ciata, e diversas escolas do samba do Rio, Prazeres era o “sambista perfeito”, nome lembrado, por curiosidade, para o álbum de Arlindo Cruz, lançado em 2007. Mais à frente vocês vão e

ntender qual a ligação de Arlindo com a Vila, em 2026.
Requisitado graças ao seu vasto conhecimento da cultura Afro-brasileira, Prazeres era visitado, na sua casa, na Praça Tiradentes, por figuras como um jovem Noel Rosa, estudante de medicina e aspirante a compositor, tal como Heitor. A Vila, promete recostituir momentos da vida de Heitor, que foram importantes para o que conhecemos do samba, que comanda o carnaval de tantas escolas, Brasil e Mundo afora. Mas não sem antes passear pelas criações e entregar um desfile digno desse tetracampeonato da escola de Noel e Martinho da Vila.
Vila busca título para afirmação no Grupo Especial
A Vila Isabel é uma das grandes escolas no Grupo Especial. Mas apesar de importantes apresentações, a escola comandada por Luiz Guimarães, filho do contraventor Capitão Guimarães, quer se afirmar de uma vez por todas, e por isso, mexeu bastante na sua equipe para o carnaval. Desde o campeonato de 2013, como “A Vida canta o Brasil, Celeiro do Mundo”, da carnavalesca Rosa Magalhães, nem Paulo Barros devolveu o caneco à azul e branco.

Arlindinho estreia na Vila ao lado de figuras que escreviam com seu pai
Uma curiosidade positiva sobre o samba-enredo de “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que Um Sambista Sonhou a África!”, enredo desse ano da Vila Isabel, é que Arlindinho Cruz é um dos compositores do samba, ao lado de André Diniz e Evandro Bocão, célebres parceiros de Arlindo Cruz, pai de Arlindinho, que compôs inúmeras vezes para a Vila Isabel. Inclusive, no último título da escola, em 2013, Arlindo Cruz e Martinho da Vila, eram uns dos compositores do samba, até hoje bem popular, da Vila. Confira o samba-enredo desse ano no vídeo abaixo.
Confira trecho da sinopse do enredo de 2026 da Vila Isabel
“(…) A Macumba é o ritual mais aproximado do Samba. Já está a Macumba aí. Quanto ao Samba… a origem do Samba é a Macumba.”
Heitor dos Prazeres – depoimento ao Museu da Imagem e do Som, 1966
“Na pintura eu sonho. Eu sonho música, eu sonho momentos amorosos, eu sonho alegria. Enfim… tudo eu sonho, tudo me dá riqueza. (…) Essas figuras que eu faço de coisas que eu já vi, que ainda existem, esses bailes, essas Macumbas, esses Sambas, essas coisas que existem, (…) eu tenho tudo aquilo do passado e de agora dentro da minha memória.”
Heitor dos Prazeres – documentário Heitor dos Prazeres, de Antonio Carlos da Fontoura, 1965
“Eu cheguei, moçada…”
O som dos tambores ao fundo, misturado ao cantar sereno de pastoras e passarinhos. Minha gente vai descendo o Morro, de cetim se faz manto sagrado, o branco e o azul cintilantes, lampejos de franjas. O enredo que sonho e conto a vocês celebra as memórias e os percursos de “um homem do povo”, multiartista, sambista, inventor, sonhador de uma nova-velha África, uma África que se congraça no coração do Rio de Janeiro. A África que ele canta, desenha e reinventa é uma África imaginada, impressa em estamparias, pintada em poemas, telas e partituras. Um lugar de roupas vistosas e casas coloridas, onde as pessoas se reúnem para sambar, brincar, comer, fazer Macumba. Um lugar que não é necessariamente “pequeno”, mas do tamanho do mundo: uma “África em miniatura”, múltipla, muitas “Pequenas Áfricas”, unidas e conjuntas, conectando centros e periferias, morros e roças, jongos e cateretês. Retalhos de pilar café, cortar a cana, cantarolar com as lavadeiras, pisar chão batido e dançar, reconstruindo os afetos entre ruas e boulevares, veias que esboçam folias e redesenham a vida. Os fluxos da Bahia, nos estandartes que giram – e seguem oceano afora, nas nuvens dos devaneios, em direção ao Continente-Mãe (reflexo e pertencimento). Mas vamos sem pressa, Povo do Samba. Que o miudinho é o mais fino traço!
“Me deixem vadiar…” (…)
Confira a sinopse completa AQUI.
Leia também: Carnaval | Rio ganha Fan Fest no estilo “Copa do Mundo” em Copacabana
Nova dupla de carnavalescos e retorno de medalhões da escola
A Azul e branco de Vila Isabel não está vindo para brincadeira, e além de planejamento e bom samba-enredo, a Vila resolveu contratar a dupla de Carnavalescos mais disputada do Grupo Especial hoje em dia: Leonardo Bora e Gabriel Haddad. Campeões na Grande Rio, em 2022, em um enredo sobre Exu, entidade de religiões afro-brasileiras, a dupla bateu na trave em outras duas oportunidades, e são elogiados pela plástica e beleza de seus desfiles. Ao lado do enredista, Vinícius Natal, também campeão com a escola de Caxias, o trio, promete acabar com o Jejum da Vila.

E depois de alguns anos da Paraíso do Tuiuti, a dupla de Mestre-sala e Porta-bandeira, Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane voltaram com tudo para ocupar o posto de 1º casal na escola que já os acolhera antes. Rodrigues já dançou com Rute Alves, entre 2005 e 2007 e Denadir Garcia. Já Ventapane, dançou com Phelipe Lemos (hoje, na Imperatriz). É uma volta pra casa.
Escola desfila na terça-feira de carnaval
A Vila Isabel desfila seu samba e seus componentes na terça-feira de carnaval, 17 de fevereiro. Depois do desfile da Paraíso do Tuiuti, é a vez da Vila Isabel cruzar a avenida Marquês de Sapucaí. Grande Rio e Salgueiro fecham os desfiles do Sambódromo do Rio de Janeiro, fechando as apresentações das escolas em 2026. A apuração acontece no dia seguinte, 18 de Fevereiro, na chamada, quarta-feira de cinzas.
Confira as outras reportagens feitas pelo nosso portal sobre agremiações do carnaval do Rio, em 2026.
Leia também: Carnaval 2026 | Tijuca prepara catarse ao cantar a revolução literária de Carolina Maria de Jesus
Leia também: Carnaval 2026 | Tuiuti leva para a Sapucaí tradição Afro-religiosa Cubana
Leia também: Carnaval 2026 | Cantando o legado de Rita Lee, a Mocidade busca o 7º campeonato
Leia também: Carnaval 2026 | Niterói debuta no Grupo Especial com enredo que tem estrela

VILA ISABEL
Ficha Técnica:
Fundação: 04/04/1946
Cores: Azul e Branco
Presidente de Honra: Martinho da Vila
Presidente: Luiz Guimarães
Quadra: Av. 28 de Setembro, nº 382 – Vila Isabel – Rio de Janeiro – RJ CEP 20551-031
Telefone Quadra: (21) 2578-0077
Barracão: Cidade do Samba (Barracão nº 05) – Rua Rivadávia Correa, nº 60 – Gamboa. Cep: 20.220-290
Telefone Barracão: (21) 3438-7679 e (21) 3734-2064
Email: [email protected]
Imprensa: Elloo Comunicação
Tel.: (21) 97105-0645
Em 2026:
Enredo: “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”
Carnavalescos: Leonardo Bora e Gabriel Haddad
Enredista: Vinícius Natal
Diretor de Carnaval: Moisés Carvalho
Intérprete: Tinga
Mestre de Bateria: Macaco Branco
Rainha de Bateria: Sabrina Sato
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane
Comissão de Frente: Alex Neoral e Márcio Jahú







