Na 7ª matéria das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, nada melhor que falar de uma das maiores expoentes do Carnaval Carioca, no Brasil e no Mundo. A Estação Primeira de Mangueira, 6ª colocada no carnaval passado, não quer voltar só nas campeãs… Quer retornar como a grande Campeã do Carnaval do Rio de Janeiro, em 2026. E pra isso,a escola viajou até terras amapaenses por águas amazônicas para revelar mais um personagem esquecido pela história cultural brasileira: Mestre Sacaca.

Enredo dá início ao triênio do centenário da escola
20 vezes campeã do carnaval (o último título, em 2019), a Mangueira completa 100 anos em 2028. E pra isso, escolheu a profunda história de Raimundo dos Santos Souza, figura de origem negra e indígena, que navegou pelos rios que cruzam a região Norte do Brasil, entrando em contato com diferentes populações tradicionais, já chamado de Sacaca, uma denominação xamânica. Mestre Sacaca tornou-se um personagem brasileiro de profundos saberes sobre o manuseio de ervas, seivas, raízes e elementos que compõem a Amazônia Negra amapaense.

Cumprindo o papel historiográfico das escolas de samba de contar e recontar tantas histórias, que muitas vezes, desconhecemos, a verde e rosa assume o compromisso de levar Mestre Sacaca ao saber de todos e revelar a importânica desse indivíduo, no cotidiano de tantas pessoas que conheceram a medicina ancestral e também o poder das ervas, através de Sacaca e da natureza em um equilíbrio entre ciência e espiritualidade.
Escola busca 1º título da era Guanayra Firmino
Apesar de mangueirense convicta, moradora do Morro da Mangueira, tataraneta de Tia Fé, uma das fundadoras da escola, isso ainda não foi o suficiente para que Guanayra Firmino conquistasse o carnaval carioca, desde que assumiu a verde e rosa, em 2022. Reeleita no passado até o ano do centenário (2028), Guanayra não quer esperar os 100 anos de Estação Primeira para gritar pelo campeonato.
Por isso, a escola prepara um grande desfile, sobre a batuta do carnavalesco Sidnei França, pelo segundo ano consecutivo na Escola. No ano passado, com o enredo “À Flor da Terra – No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões”, a escola conseguiu apenas um 6º lugar, abrindo o Desfile das Campeãs no Sábado seguinte.

Escolha do samba foi controversa
A exemplo do que aconteceu, quando a escola escolheu o samba que homenageou a cantora Alcione, em 2024, com “A Negra Voz do Amanhã”, onde a comunidade não foi muito fã, do samba escolhido, em 2026, não foi muito diferente. Porém, o samba-enredo de Pedro Terra, Tomaz Miranda, Joãozinho Gomes, Paulo César Feital, Herval Neto e Igor Leal é a poesia escolhida para contar a história que a Mangueira pretender apresentar na avenida. Confira no vídeo abaixo.
Confira trecho da sinopse do enredo de 2026 da Mangueira
“Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra
Apresentação
Seguindo a missão de exaltar as brasilidades em verde e rosa, a Estação Primeira de Mangueira apresenta o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, enaltecendo as tradições afro-indígenas do Norte brasileiro por meio de um dos seus mais célebres personagens.
Nessa épica saga amazônica, é momento da celebração do Turé – ritual de agradecimento a seres de Outro Mundo. Invocado por sua plenitude e em estado de encantamento, Mestre Sacaca se manifesta espiritualmente para nos mostrar, como em delírio catártico, sua gente, seu lugar, seus mistérios e saberes. Eis a presença viva e vital do nosso Xamã Babalaô!
Tomada pela magia das matas, a Estação Primeira adentra a floresta e apresenta o fascínio de quem leu, rezou e benzeu as suas folhas, cascas, frutas e sementes. Curandeiro, folião, marabaixeiro e defensor dos povos da floresta, esse ser revive os seus caminhos de aprendizado e valorização da identidade amapaense. Em glória, nosso herói reside na alma do povo tucuju, como carinhosamente se denominam os seus conterrâneos.
A Mangueira evoca a força das populações tradicionais para beber da sabedoria ancestral de um dos seus maiores expoentes, que nos guia e se revela como a própria Amazônia Negra
PRIMEIRO ENCANTO
TURÉ PARA O XAMÃ BABALAÔ
Estou no Turé e lhes conto que ainda não tocou o cuti porque a dança não terminou. Pelo contrário, eu diria. Ela está apenas começando. E está começando no Norte, onde o meu país começa.
É no início dessa história que alastro as minhas raízes brasileiras para esse ritual de agradecimento aos invisíveis do Outro Mundo.
Sigo em movimento, mesmo plantada entre Sumaúmas que fazem de mim, a quase centenária, aprendiz e mensageira. Junto com as lahen, distribuo o caxixi na cuia do mesmo tipo que veste as mulheres também trajadas de saia de buriti. A festa acontece cercada de varas de madeira, no circular lakuh. Eu, Mangueira, estou na floresta amazônica brasileira, envolvida nesse transe.
Urucu, jenipapo e kumatê tingem a minha visão. São tons da natureza que pintam desde as cuias que guardam o sabor do beiju de mandioca até os enfeites criados com penas dos peitos das araras, que se encostam nas cabeças daqueles que festejarão os espíritos.
O pakará está posto para o líder pegar o maracá e os cigarros de tawari. É hora da viagem. Jãdam têm nas mãos os seus bastões e os palikás puxam os cânticos junto com o pajé. Os sons das flautas e das buzinas de bambu se alastram junto às palavras entoadas aos ancestrais. Um deles, especialmente, veio nos ver. Eu estava aqui aguardando por ele.
A energia avassaladora toma o espaço e me faz confirmar: não há morte para quem sonha. A presença dele é inegável porque nunca deixou de ser. Já estava aqui, sempre esteve. E agora, mais do que nunca, o Xamã Babalaô veio para nos embrenhar nesse encanto tucuju que vive como só ele.”(…)
Confira a Sinopse completa AQUI.
Leia também: Carnaval 2025 | Mangueira conta como a chegada dos Bantu mudou a história do Rio de Janeiro
Dowglas Diniz agora segue como intéprete principal da escola
Dowglas Diniz segue agora como intéprete oficial da Mangueira. Dessa vez, sozinho. Cria da comunidade, Diniz ingressou no projeto “Mangueira do Amanhã” aos 4 anos, como ritmista. Em 2010, recebeu o convite para se tornar intérprete da escola mirim, posição que exerceu até 2016, quando transferiu-se para o carro de som da escola mãe. Em 2023, estreou como intérprete principal, ao lado de Marquinho Art’Samba.

Já o cargo ocupado por célebres figuras como Cartola, Delegado e Xangô da Mangueira, o de Direção de Harmonia, recebeu reforços de peso. Com a saída de Helton Dias, desde 2023 à frente da pasta, Alexandre Rouge, Arídio Oliveira, Fábio de Souza, Izadora Neves, Léo Assis, Vinicius Araújo e Valber Frutuoso formam a comissão de Harmonia da Verde e Rosa. Matheus Olivério e Cintya Santos continuam à frente do pavilhão da escola, enquanto os Mestres Taranta Neto e Rodrigo Explosão estão mais um ano à frente da “Surdo Um”, a bateria mangueirense.
Escola fecha o primeiro dia de desfiles
A Estação Primeira de Mangueira desfila no Domingo de Carnaval, dia 15 de Fevereiro. A escola fecha o primeiro de três dias de desfiles, depois de ver passar pela Sapucaí, Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense e Portela. Mangueira e Portela são as maiores campeãs do Carnaval do Rio, com 22 títulos para a escola de Madureira e 20 canecos para a escola do Morro da Mangueira.
Confira as outras reportagens feitas pelo nosso portal sobre agremiações do carnaval do Rio, em 2026.
Leia também: Carnaval 2026 | A incrível jornada de um Salgueiro que não tem medo de nada
Leia também: Carnaval 2026 | Vila canta Heitor dos Prazeres para contar um pouco da história do Samba
Leia também: Carnaval 2026 | Tijuca prepara catarse ao cantar a revolução literária de Carolina Maria de Jesus
Leia também: Carnaval 2026 | Tuiuti leva para a Sapucaí tradição Afro-religiosa Cubana
Leia também: Carnaval 2026 | Cantando o legado de Rita Lee, a Mocidade busca o 7º campeonato
Leia também: Carnaval 2026 | Niterói debuta no Grupo Especial com enredo que tem estrela

ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA
Ficha Técnica:
Fundação 28/04/1928
Cores: Verde e Rosa
Presidente de Honra: Eli Gonçalves da Silva (Chininha)
Presidente: Guanayra Firmino
Quadra: Rua Visconde de Niterói, 1.072 – Mangueira, CEP 20943-001
Telefone Quadra: (21) 2567-4637
Barracão: Cidade do Samba (Barracão nº 13) – Rua Rivadávia Correa, nº 60 – Gamboa – CEP: 20.220-290
Telefone Barracão: (21) 2223-5889
Site: www.mangueira.com.br
Imprensa: Renata Rodrigues
Tel.: +55 (21) 98038-2376
Em 2026:
Enredo: “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”
Carnavalesco: Sidnei França
Direção de Carnaval: Dudu Azevedo
Intérprete: Dowglas Diniz
Mestres de Bateria: Taranta Neto e Rodrigo Explosão
Rainha de Bateria: Evelyn Bastos
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Matheus Olivério e Cintya Santos
Comissão de Frente: Karina Dias e Lucas Maciel







