Quando a Unidos de Viradouro canta “Dos Mestres dos Mestres, herdei o tambor”, ela já coloca seu homenageado em uma prateleira de ídolo, que poucos ocupam antes de terem concluído toda a sua trajetória no Carnaval. Mas é assim que merecidamente é tratado Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça! A Escola de Niterói, escolheu o seu mestre e diretor de bateria, para tentar o 4º título da sua história, no Carnaval do Rio. Em 2026, a Viradouro leva para Sapucaí, o enredo “Pra cima, Ciça”.

Homenageado esteve nos 2 últimos títulos da escola
Em 1996, Joãozinho Trinta amargou um dos seus piores resultados o Carnaval Carioca. O desfile da Viradouro, teve diversos problemas, e a escola terminou em 13º lugar. 2 posições acima do decesso do Grupo Especial (na época, eram 18 escolas). No ano seguinte, Joãozinho arrancou a escola do fundo do poço, ou melhor, das trevas… “Trevas! Luz! A Explosão do Universo” deu à Unidos de Viradouro, o seu primeiro título.

23 anos depois, com Ciça à frente de sua bateria, a escola se sagra campeã novamente. O segundo título de ambos (Ciça, foi campeão pela Estácio, em 1992). E 4 anos depois, novamente campeõs, com “Arroboboi, Dangbé”. E é com essa parceria vitoriosa, de muitas camadas, que ninguém melhor que Ciça para ser o homenageado de uma das escolas mais aguerridas do Grupo Especial. E é com essa força e com emoção, que a Unidos de Viradouro vai contar a emocionante história de um mártir da sua própria história.
Com passagens pela União da Ilha, onde venceu o Estandarte de Ouro, de Melhor Bateria, de 2017 e pela Acadêmicos do Grande Rio, que detém, pelas mãos de Ciça, a maior paradinha da história do Sambódromo, realizada em 2010. Ciça ainda comandou as baterias de Unidos da Tijuca, e claro, da sua escola de coração, a Estácio de Sá.
Viradouro está à 6 anos consecutivos brigando por títulos
Desde que retornou da Série Ouro, em 2018, a Viradouro não quis saber mais de meio de tabela nas classificações finais dos carnavais. Além dos 2 títulos (2020 e 2024), 2 vice-campeonatos (2019 e 2023), um 3º (2022) e um 4º lugar (2025). Tirando 2019, onde o desfile foi desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros, todos os outros anos, e também em 2026, o desfile teve as mãos de Tarcísio Zanon (em 2020 e 2022, em parceria com Marcus Ferreira).

Samba desse ano tem compositores campeões do carnaval
Com uma leva de sambas sempre muito bem avaliada, a Viradouro escolheu a poesia de compositores já consagrados e inclusive campeões pela escola. Escrito por Claudio Mattos, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet, Anderson Lemos, Sandrinho e Thiago Meiners. Adnet, inclusive, vem se tornando presença marcantes em diversas disputas de samba-enredo no Carnaval do Rio. Confira o vídeo com a obra escolhida.
Confira trecho da sinopse do enredo de 2026 da Viradouro
“ESQUENTA – ATENÇÃO, SAPUCAÍ!
Vai subir! Repique chama, Furacão responde!
Pra cima…
Marquês de Sapucaí. Palco de homenagens inesquecíveis a notáveis do nosso tempo. No terreiro maior do Carnaval carioca, construiu-se um tipo originalmente brasileiro de reconhecimento em vida. Atravessar em triunfo toda a extensão do Sambódromo ao coro de um samba de enredo, composto especialmente para reverenciar os ídolos de uma nação, é uma forma única de aclamação popular. Um instante que fica para sempre na memória afetiva de um país.
A Unidos do Viradouro, ao completar 80 anos de fundação em 2026, ouve o próprio pulsar da bateria e celebra uma personalidade vital nessa trajetória: o sambista Moacyr da Silva Pinto, artista do nosso Carnaval. Ao completar 70 anos de vida e 55 anos do seu primeiro desfile, Mestre Ciça cruzará a Sapucaí em pleno ofício. Fluente na língua do tambor, agora é a vez de escrever sua epopeia na melodia de um novo samba de enredo. É a Furacão Vermelho e Branco se olhando no espelho e dizendo…
PRA CIMA, CIÇA! OS TAMBORES DE 2026 VÃO RUFAR PRA VOCÊ!
1ª CABINE – SAMBA DE SAMBAR DO ESTÁCIO
Pra cima! Era aonde olhava uma cidade que despertava para um jeito diferente de fazer samba. Autêntico movimento modernista nascido nos morros, exímios músicos dos terreiros pintaram no Carnaval uma nova tela ao encourar instrumentos percussivos em pele e fogo. Pioneiros do Estácio, que “num repente genial”, tiveram “uma ideia feliz”: esculpir um majestoso leão, pousado sobre uma carreta e levado em desfile pela rapaziada que circulava pelo São Carlos. Assim, o grupo fundador da Deixa Falar, agremiação híbrida, meio bloco, meio rancho, mas escola de samba na raiz, ergueu um totem altivo e feroz para, em torno de um único símbolo, reunir aquela comunidade essencialmente musical.
O Rio de Janeiro foi despertado no fundo da alma com a tal novidade sincopada de cadência explosiva, embalada no Berço do Samba. Com o ritmo mais batucado, o tambor rugiu em “paticumbuns” e “prugurunduns”. A massa entoava em coro novas melodias, com notas mais alongadas que as do maxixe e outras modas. No compasso dessa novidade uníssona com a realidade urbana carioca, o “samba de sambar” provocava o corpo de cada sambista, que passou a caminhar e a gingar com mais malemolência.
Em tempos de Unidos de São Carlos, na zona do Mangue, hoje palco da nossa concentração, a comunidade atravessava o baixo meretrício fantasiada com a elegância de realeza foliã. Rufiões e mariposas vigiavam a Lua, enquanto virtuoses batuqueiros escreviam poemas sonoros em surdos, cuícas, reco-recos e pandeiros. Nesse berçário de feras, um filhote de leão brincava de Carnaval e, em 1971, tornou-se passista da São Carlos. Mas também riscou o chão em giros e mesuras como mestre-sala do Bloco dos Peninhas, uma dentre muitas agremiações carnavalescas do bairro. Depois de escrever o samba em bailado, aprendeu a desenhá-lo em arranjos percussivos.”(…)
Confira a Sinopse completa AQUI.
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Juliana Paes substitui Erika Januza como Rainha
Depois de 17 anos longe da escola de Niterói, através de um pedido de Ciça feito diretamente à artista, a Viradouro encontrou a substituta para a vaga deixada por Erika Januza, que ficou 4 anos à frente da bateria da vermelha e branca de Niterói: Juliana Paes. Paes, foi Rainha de bateria durante 4 carnavais da escola, entre 2004 e 2008, e retorna a pedido do amigo. A escola comandada por Hélio Nunes, ainda manteve o 1º casal de Mestre-sala e Porta-bandeira, Julinho Nascimento e Rute Alves. Wander Pires, também continua como intérprete da Viradouro.

Escola é terceira a desfilar na Segunda-feira de Carnaval
Com a missão de passar pela avenida logo após a atual campeã do Carnaval do Rio, a Beija-Flor de Nilópolis, a Unidos do Viradouro, desfila na Segunda-feira de Carnaval, dia 16 de fevereiro, logo após a Mocidade Independente de Padre Miguel, a atual campeã, Beija-Flor e é seguida pela Unidos da Tijuca, que fecha assim o 2º dia de Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, em 2026.
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VIRADOURO
Ficha técnica:
Fundação: 24/06/1946
Cores: Vermelha e Branca
Presidentes de Honra: José Carlos Monassa (in memoriam) e Marcelo Calil Petrus
Presidente: Hélio Nunes
Quadra: Av. do Contorno, 16, Barreto, Niteroi CEP: 24110-205
Telefone Quadra: (21) 2628-5744
Barracão: Cidade do Samba (Barracão nº 01) – Rua Rivadávia Correa, nº 60 – Gamboa CEP: 20.220-290
Site www.unidosdoviradouro.com.br
E-mail: [email protected]
Imprensa: Simone Fernandes
Tel: (21) 98601-2922
Em 2026:
Enredo: “Pra cima, Ciça”
Carnavalesco: Tarcísio Zanon
Diretores de Carnaval: Alex Fab e Dudu Falcão
Intérprete: Wander Pires
Mestre de Bateria: Ciça
Rainha de Bateria: Juliana Paes
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Julinho e Rute
Comissão de Frente: Rodrigo Negri e Priscilla Mota






