acompanhe a seguir as 3 sagas que mostram como esse estilo de comunicação se originou
“Dicas para começar a ler quadrinhos” foi o título da live especial no canal do Kolmeia direcionada a todos que são apaixonados por essa mídia. E, aproveitando o embalo, decidimos responder uma curiosidade: afinal, como essa cultura de histórias em quadrinhos, de fato, começou? E acredite! A resposta foi bem surpreendente.
Já avisamos que essa será uma história bem longa e com diversos arcos e participações especiais. Então sugerimos que apertem os cintos, pois começaremos por uma saga pré-histórica.
Saga | Desenhos na parede: uma história sem palavras
Sem sombra de dúvidas, o grande diferencial dos quadrinhos é a utilização do elemento gráfico em sua estrutura narrativa. Dessa forma, seria bem difícil imaginar uma HQ sem figuras, não é verdade? Afinal, diferentemente dos livros que você precisa imaginar a cena acontecendo, as imagens estão ali para mostrar com riqueza de detalhes o que o autor quis dizer.

De acordo com um artigo do Norman RockWell Museum, as primeiras dinâmicas de contar histórias por meio de figuras nos remetem, tanto aos primeiros desenhos rupestres em Lascaux, França, cerca de 15.000 AC, quanto às diversas ilustrações nas paredes e outros objetos das grandes civilizações antigas, como Egípcia, Grega e Romana.

Porém, embora o conceito de transmitir histórias através de imagens seja um elemento das histórias em quadrinhos, os dois exemplos acima se encaixam apenas na história das ilustrações. Para chegar ao marco da primeira revista em quadrinhos precisaremos passar por mais alguns arcos.
Saga | O surgimento da imprensa e a produção de ilustrações em larga escala
Assim como o estalar de dedos do Thanos deu início a saga do infinito, a impressão mecânica por Johannes Gutenberg, em 1452, originou uma nova era para a imprensa. Antes, estudiosos e monges demoravam meses para produzir algumas unidades de livros, o que os tornavam itens raros e na maioria das vezes, restritos. Agora, graças às prensas de Gutenberg, a produção de livros acompanharia a explosão de ideias que o renascimento proporcionou.


Nesse momento, vocês devem estar se perguntando: o que isso tem a ver com os gibis? Pois bem! As prensas que Gutenberg inventou ajudaram a popularizar os livros e, em pouco tempo, surgiu um novo tipo de mídia que resumia todos os acontecimentos das crescentes cidades: os jornais. Como se não bastasse, as impressões também foram usadas para muitos propósitos, incluindo obras para crianças, materiais educacionais para escolas, placas de história natural e arte de capa para livros.
E, com a modernização da imprensa provocada pela revolução industrial, todo esse material impresso começou a conter figuras como componentes. Segundo artigo do Norman RockWell Museum, a profissão de ilustração se consolidou totalmente no início do século XIX. Os caricaturistas ingleses e franceses ganhavam a vida de forma independente como ilustradores em tempo integral com a venda de impressões gravadas para livros ou gravadas em pequenas gráficas semelhantes a galerias e bancas de livros nas ruas da cidade. Isso tornou a ilustração acessível e econômica.
Assim, os editores logo reconheceram que as ilustrações ajudavam a vender assinaturas de revistas e aumentar a receita publicitária. Vendas fortes e consistentes permitiram mais encomendas de arte original e o negócio de ilustração foi totalmente estabelecido.
De fato, a ilustração começava a ser vista pelos editores como uma necessidade. Diante disso, a competição entre as publicações pelo número limitado de bons ilustradores levou ao aumento dos orçamentos para arte, instituindo taxas mais altas e maior reconhecimento para os artistas. Os melhores ilustradores tornaram-se figuras conhecidas e alguns, como Charles Dana Gibson e John Held Jr., alcançaram o status de celebridade.

E, no meio dessa revolução de ilustrações, foram criadas em alguns jornais pequenas tiras com histórias curtas e personagens que se comunicavam com textos incluídos em balões. Continua na próxima saga.
Saga | O que é isso? Ah, isso são histórias em quadrinhos
Nos episódios anteriores, falamos sobre a evolução da comunicação com figuras, desde as pinturas rupestres até a invenção da imprensa, chegando na competição entre jornais e revistas por cartunistas. Além disso, surgiu uma série de tiras com sequência de quadrinhos com personagens e histórias curtas.

Segundo um artigo do site Book Riot, a era das histórias em quadrinhos teve início por conta das caricaturas políticas e da propaganda, principalmente em jornais e revistas. Dessa forma, o marco inicial foi uma coletânea de trabalhos publicados que anteriormente eram comercializados para crianças devido ao seu humor pastelão e histórias curtas. Esse livro foi The Yellow Kid in McFadden’s Flat, publicado no Reino Unido, em 1897, que, inclusive, foi o responsável por criar o termo “história em quadrinhos”.

Além de nomear esse novo estilo de comunicação e entretenimento, o livro também estipulou o formato padrão que vemos hoje, com capas brilhantes e ilustrações coloridas. No entanto, em 1935, surgiu aquele que seria o precursor dos quadrinhos da DC. A National Allied Publications criou o conceito de super-herói ‘moderno’, contando histórias com roteiro mais elaborado e que, por vezes, se estendiam por mais de uma edição e tinham uma identidade única.

De repente, foi criado uma base de seguidores das mais mais variadas idades o que originou uma nova indústria e novas editoras, mas isso fica para uma próxima história.