Blue Jean é um filme muito humano, ainda que muito difícil de digerir. Ele escancara uma verdade muito dura no meio das frases preconceituosas proferidas pelos noticiários da época: mesmo depois de 35 anos dos eventos ocorridos no filme, a comunidade LGBTQIAPN+ ainda sofre ouvindo as mesmas frases homofóbicas.
O filme é escrito e dirigido pela estreante inglesa Georgia Oakley e conseguiu reconhecimento no Festival de Cinema de Veneza, através do voto popular. Além disso recebeu cinco indicações no British Independent Film Award e conquistou o prêmio de Melhor Atriz para Rosy McWen. Georgia também foi indicada ao BAFTA 2023 na categoria de Melhor Estreia de Roteirista, Diretor ou Produtor Britânico.
A história é ambientada no ano de 1988 durante o governo da conservadora primeira ministra Margaret Thatcher no Reino Unido, em campanha contra a população LGBTQIAPN+. Acompanhamos a personagem principal Jean (Rosy McEwen), uma professora lésbica de educação física que tem medo de se assumir devido a perseguição e opressão popular.

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Uma jornada íntima na psiquê da protagonista
Acompanhamos Jean no âmago de sua alma, no que há de mais profundo da sua identidade. Tudo é feito de uma forma intimista, dita em poucas palavras. É impossível não ser arrebatado por um tsunami de empatia por esta personagem. Mesmo que muitas vezes ela haja de forma questionável, acaba se tornando compreensível pelo medo que ela desenvolveu de ser quem é.
Falando nisso, conhecemos não só esse lado de Jean, mas seus anseios e, principalmente, os relacionamentos que a cercam: com a namorada Viv (Kerrie Haeyes), as amigas, suas alunas e até mesmo com sua família. É doloroso enxergar como ela acaba rompendo muitas dessas relações por conta desse medo que a persegue ao longo da obra.

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Falando um pouco da parte técnica, o filme conta com uma ambientação impressionante, num nível que seria até fácil acreditar que ele pudesse ter sido gravado no final da década de 80. A composição de cores em tons mais frios e o granulado característico acabam dando um toque muito charmoso para a produção.
Blue Jean certamente é um filme que vale a pena ser assistido. Sua humanidade, ainda que dura e direta, é capaz de construir um sentimento de esperança para os dias futuros: um mundo com menos intolerância, mas também um mundo onde possamos ter menos Jeans se escondendo dentro de si mesmas.
Blue Jean estreia nos cinemas no dia 27 de julho.