Não a toa a nossa última matéria sobre as Escolas de Samba do Carnaval do Rio, será sobre a última campeã do mesmo. A Beija-Flor de Nilópolis encerra a nossa série de reportagens sobre as Escolas do Grupo Especial e seus enredos. Inclusive, hoje, 01/02, a escola do atual presidente da LIESA, Gabriel David, fecha o primeiro final de semana de Ensaios Técnicos do principal grupo de Agremiações para o Carnaval 2026.

Carnaval da Escola traz festividade Afro-brasileira
Com “Bembé”, a escola de Nilópolis, na Baixada Fluminense, que viu aposentar-se no ano passado, seu intérprete oficial por quase 50 anos, Neguinho da Beija-Flor, revisita festividade histórica, religiosa e afro-brasileira sobre maior Candomblé de Rua, em Santo Amaro, na Bahia. A celebração reune vários terreiros de candomblé, que realizam uma grande cerimônia no Largo do Mercado Municipal.

A festa é patrimônio cultural imaterial estadual, tombada pelo IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia) e está incrita no LIvro de Registros de Celebrações do IPHAN, e se formou a partir do dia 13 de Maio de 1889, quando João de Obá, pai de santo, saiu junto a seus filhos às ruas de Santo Amaro, para celebrar um ano da Abolição da Escravatura. Celebrando liberdade. Além de tecer sobre os 5 dias de festividades, a Beija-Flor promete um desfile característico, com volume, canto, comunidade e luxuoso.
Escola venceu em 2025 depois de 5 carnavais

Foi o maior jejum de vitórias da escola de Nilópolis, desde 1998, quando venceu o carnaval com o enredo “O Mundo Místico dos Caruanas nas Águas do Patu-Anu”, da Comissão de Carnaval que assumiu logo após a saída de Milton Cunha, depois de 14 anos sem conseguir o campeonato. De lá pra cá, a Beija-Flor abocanhou 9 títulos, que somados aos 6 que tinha pela sua história, a tornou a maior campeã da era Sambódromo.
No ano passado, com “Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”, a escola selou a paz com um injustiça cometida contra um dos seus maiores Griôs, e retomou o caminho das vitórias. Sem conseguir o bicampeonato, desde a dobradinha 2007/2008, a Beija-Flor pretende quebrar esse tabú na nova década, e se isolar cada vez como a maior campeã da Sapucaí.

Samba é o mais popular da temporada 2026
Com o samba mais tocado em todas as plataformas, a Beija-Flor tem mais um samba popular para o carnaval. Com históricos sambas que não saem da cabeça da sua comunidade e de seus torcedores, a escola nilopolitana tem mais um trunfo em torno de seu bicampeonato: A boa receptividade do seu samba-enredo. Com versos como “isso aqui vai virar macumba”, a Beija-Flor prepara, ao exemplo de seu tema, o Maior Candomblé que já passou pela Avenida Marquês de Sapucaí.
O samba campeão é composto por Sidney de Pilares, Marquinhos Beija-Flor, Chacal do Sax, Cláudio Gladiador, Marcelo Lepiane, João Conga, Salgado Luz, Diego Oliveira, Diogo Rosa, Manolo, Julio Alves, Cláudio Russo e Léo do Piso. Confira abaixo no vídeo, a gravação especial.
Confira trecho da sinopse do enredo de 2026 da Beija-Flor
“Ocupamos o espaço público. Se somos, afinal, livres, então não deveria haver problema algum nisso. Já não há mais distinção entre“nós” e “eles”, certo? A rua também é nossa
— ou não? Num país que aboliu a escravidão com uma canetada, sem nenhuma reparação, ocupar é — e sempre foi — nossa formade autorreparação. Nossa articulação pela cidadania. Ocupar é ressurgir, resistir, transgredir. Fazemos do corpo-travessia, da fé e da memória, um ato político: liberdade conquistada — tardia, mas viva. A cidade é nossa. O Largo do Mercado, também.
Livres, portanto, não escondemos mais nossas roupas de santo, as rendas de rechilieu, os panos da costa, as contas de proteção. Não baixamos a cabeça. Não silenciamos nossos cânticos, nem apagamos nossa fé. Não renegamos nossa cor, nossas origens. Não escondemos nossa ancestralidade: raízes fincadas no massapê do Recôncavo, regadas com nossas lágrimas e nosso suor.
Seguimos, sob a régia de Funfun, no equilíbrio das forças que nos guiam, rumo ao território que antes nos fora negado. Somos nós, o povo de João de Obá. Somos nós: pescadores, capoeiristas, baianas — marisqueiras, quituteiras, ganhadeiras, mães de sangue, de samba, de santo.
É cortejo, é batuque, é levante. Ano após ano, caminhamos de cabeça erguida — todos nós — em direção ao nosso lugar, como aprendemos desde 13 de maio de 1889. Não nos detemos diante dos olhos tortos — seguimos. Não reagimos a ataques — ocupamos.
Ao toque dos primeiros atabaques, Santo Amaro da Purificação desperta. Na alvorada, os fogos riscam o céu com luzes cintilantes e anunciam: o dia é nosso. Quebramos as encruzilhadas, damos água ao chão, erguemos nossa cumeeira, hasteamos a bandeira e plantamos nosso axé no coração do Mercado.”(…)
Confira a sinopse completa AQUI.
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Escola tem dois novos intérpretes

Após, a já citada, saída de Neguinho da Beija-Flor, a escola resolveu promover um concurso para o seu novo intérprete. E a com sorte de bicampeã, não um, mas dois nomes foram escolhidos para interpretar a poesia da Deusa da Passarela, como é chamada. A escola presidida por Almir Reis, que teve Sílvio (1973), Zamba (1974), Bira Quininho (1975), e desde 1976 até 2025, o próprio Neguinho, escolheu Nino do Milênio e Jéssica Martin, como sua dupla de intérpretes oficiais.
O carnavalesco João Vitor Araújo se manteve à frente da escola, bem como os tradicionais Selminha Sorriso e Claudinho, como 1º Casal de Mestre-sala e Porta-bandeira, Jorge Teixeira e Saulo Finelon, na comissão de frente, e Lorena Raíssa, que mesmo após ser mãe, se mantém firme à frente da Bateria de Plínio e Rodney, chamada de “Soberana”. Com a dupla, inclusive, em 2016 a bateria da escola nilopolitana recebeu o seu primeiro Estandarte de Ouro, o Oscar do Carnaval.
Escola é a segunda à desfila no dia 16 de Fevereiro
Contrariando suas escolhas, sempre fechando um dos dias dos Desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, ou até mesmo o próprio carnaval, a Beija-Flor é apenas a 2ª escola a entrar na avenida na Segunda-feira de Carnaval, dia 16 de fevereiro. Depois da Mocidade Independente de Padre Miguel abrir a 2ª noite de 3 dos Desfiles do Grupo Especial, a Beija-Flor passa pelo Sambódromo, sendo seguida por Unidos do Viradouro e Unidos da Tijuca, nessa ordem.
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BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS
Ficha Técnica:
Fundação: 25/12/1948
Cores: Azul e Branco
Presidente de Honra: Aniz Abrahão David
Presidente: Almir Reis
Quadra: Rua Pracinha Wallace Paes Leme, 1025 – Nilópolis – RJ. Cep: 26.050-032
Telefone Quadra: (21) 2791-2866
Barracão: Cidade do Samba (Barracão nº 11) – Rua Rivadávia Correa, nº 60 – Gamboa. Cep: 20.220-290
Telefone Barracão: (21) 2233-5889
Site: www.beija-flor.com.br
Imprensa: Bruno Lauratto – Elloo Comunicação
Tel.: +55 (11) 99774-2007
Em 2026:
Enredo: “Bembé”
Carnavalesco: João Vitor Araújo
Diretor de Carnaval: Marquinho Marino
Intérpretes: Nino do Milênio e Jessica Martin
Mestres de Bateria: Rodney e Plínio
Rainha de Bateria: Lorena Raissa
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Claudinho e Selminha Sorriso
Comissão de Frente: Jorge Teixeira e Saulo Finelon








