A nossa série de reportagens sobre os Desfiles de Escolas de Samba do Rio de Janeiro, em 2026, está chegando ao fim. E a segunda colocada de 2025, é a escola da vez! A Acadêmicos do Grande Rio, se envereda novamente por dentro de rios e, desta vez, mangues, para contar a história de um movimento que se iniciou no Nordeste, e enriqueceu a cultura musical e popular de um país inteiro! É Manguebeat! E através disso descortinamos um importante personagem desse movimento: Chico Sciense.

Enredo propõe paralelo entre as periferias

As letras de Chico Science, e também de Fred 04, revelam elementos que potencializaram e ainda pontencializam gerações. A Grande Rio se compromete em mergulhar nessa ideologia que é da lama dos manguezais, que brota cultura, mudanças políticas e sociais. É desenvolvimento! O movimento cultural surgiu no Recife, Pernambuco, e influenciou a arte em todo o país. Com o enredo “A Nação do Mangue”, a tricolor de Caxias pretende conectar as periferias do Recife e da Baixada Fluminense. A Cidade de Duque de Caxias, também conta com mangues. E daí nasce um enredo tão revolucionário, quanto o seu tema.
Francisco de Assis França Caldas Brandão, o Chico Sciense, nascido em Olinda, era um Pernambucano que foi líder de Chico Sciense & Nação Zumbi, banda que misturava o rock, o hip hop, o funk, a música eletrônica e o maracatu. Considerado um dos trabalhos mais importantes do século, o Manguebeat é um movimento de contracultura brasileiro, que desde 1991, mudou as características da música brasileira. Mesmo após a morte de Sciense, com 30 anos de idade, em 1996, o movimento continuou influenciando artistas e a criação de festivais como Abril Pro Rock, Rec Beat e Coquetel Molotov.
Grande Rio promete transformar a Sapucaí em um CarnaBeat
Vindo de bons desfiles, e apresentações convicentes, a Grande Rio, promete continuar trazendo carnavais que conversem com o grande público, com temas tão relevantes e fundamentais, bem como de importância sociocultural. No ano passado, a vice-campeã do carnaval, que trouxe o enredo “Pororocas Parawaras: As Águas dos Meus Encantos nas Contas dos Curimbós”, que exaltava a cultura paraense e a força das águas amazônicas, só não abocanhou o título por conta de um décimo.

Campeã do Carnaval de 2022, com “Fala Majeté – As Setes Chaves de Exu”, a escola desde então, ficou com um 6º lugar, em 2023, quando falou de Zeca Pagodinho, em 3º em 2024, com adaptação do livro de Alberto Mussa, “O Meu Destino é ser Onça”, e o vice-campeonato de 2025. Reestruturada, desde a chegada dos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, mesmo com a saída da dupla, a Grande Rio mantém a pegada cultural, que a tornou competitiva e sempre aspirante ao título.

DNA do Samba campeão tem digitais paraenses novamente
Com mais um samba cativante para o seu carnaval, a Grande Rio novamente abriu uma seletiva para outros estados, como fez no ano anterior. E assim como em “Pororocas”, quando a um samba da seletiva paraense venceu a disputa, em 2026, não será diferente. O samba composto por Ailson Picanço, Marquinho Paloma, Davison Wendel, Xande Pieroni, Marcelo Moraes e Guga Martins, vai levar “A Nação do Mangue” para o Sambódromo do Rio. Confira o samba abaixo.
Confira trecho da sinopse do enredo de 2026 da Grande Rio
“Entra, entra, entra Senta
Bem-vinda ao novo mundo”
A Bola do Jogo, Mundo Livre S/A
Chico Science mandou nos chamar. Somos os caranguejos com cérebro evocados por Fred Zero Quatro, filhos dos homens-caranguejos de Josué de Castro, da geografia da fome, mangueboys e manguegirls das periferias. Chegamos para mudar o curso dos rios, oxigenar os estuários, injetar a cultura do povo nas veias e artérias entupidas pelo lixo, pelo abandono e pela impotência – fazer revolução. Somos o manguebeat.
Nós da Lama: O Mangue Ancestral
“Na verdade, foram os mangues os primeiros conquistadores desta terra. Foram mesmo, em grande parte, os seus criadores”. Josué de Castro
Viemos da lama, do lodo, dos igarapés, do beijo doce em águas de sal. Somos daquela vida que se manifesta pegajosa, sufocante, desconhecida. Uma vida que atrai e afasta, se mostra e se esconde, vai e vem no ritmo das marés. Às vezes mar, às vezes rio, quase sempre lama. Estamos nos manguezais de braços entrelaçados, cipós retorcidos, galhos que cortam, espinhos, folhas secas, nós de troncos.
Nós somos nós.”(…)
Confira a sinopse completa AQUI.
Leia também: Carnaval 2025 | Grande Rio mergulha em uma viagem cheia de encantarias para falar do Pará
Mudança de carnavalesco não interfere em nova fase da escola
Depois de 5 anos com belos carnavais apresentados, com 1 título (2022), dois vice-campeonatos (2020 e 2025), um 3º lugar (2024) e um 6º (2023), a dupla de carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad decidiu mudar de ares e a troca os levou para a Unidos de Vila Isabel. Sem perder tempo, a escola de Milton Perácio, correu atrás de um profissional à altura, e trouxe Antônio Gonzaga, que dividira dois anos de desfiles com André Rodrigues, na Portela. Antônio, que já teve passagem pela escola de Caxias, promete enredos fortes e relevantes à cultura e resgate às raízes da escola, que sempre teve enredos muito bem avaliados pela crítica.

Além disso, a escola manteve boa parte da sua equipe para o Carnaval 2026. A única baixa foi da Rainha de Bateria Paolla Oliveira, que deu lugar à Virgínia Fonseca. Oliveira, ainda assim, continua frequentando a escola, arrebatou o título de Rainha da Escola, se mantendo ligada à tricolor de Caxias. A Grande Rio ainda renovou com seu Diretor de Carnaval, Thiago Monteiro, o casal Hélio e Beth Bejani, responsáveis pela comissão de frente, e o 1º casal de Mestre-sala e Porta-bandeira, Daniel Werneck e Taciana Couto. Evandro Malandro, continua intérprete na escola caxiense.
Escola tem dia de desfile concorrido
Em um dos dias mais equilibrados dos Desfiles de Escolas de Samba do Rio de Janeiro, a Grande Rio desfila na terça-feira de carnaval, dia 17 de fevereiro, sendo a 3ª escola à cruzar a avenida Marquês de Sapucaí, e sendo a penúltima à desfilar no carnaval desse ano. Abrindo a terça-feira, temos a Paraíso do Tuiuti, seguida da Unidos de Vila Isabel, e após a tricolor de Caxias, o Salgueiro fecha o Carnaval do Rio, em 2026.
Confira as outras reportagens feitas pelo nosso portal sobre agremiações do Carnaval do Rio, em 2026.
Leia também: Carnaval 2026 | Irreverente, Ney Matogrosso é o homenageado da Imperatriz
Leia também: Carnaval 2026 | Com Ciça como enredo, Viradouro quer desfile emocionante por 4ª estrela
Leia também: Carnaval 2026 | Portela reforça a força da ancestralidade negra no Sul do Brasil
Leia também: Carnaval 2026 | Mangueira resgata figura amapaense de Mestre Sacaca
Leia também: Carnaval 2026 | A incrível jornada de um Salgueiro que não tem medo de nada
Leia também: Carnaval 2026 | Vila canta Heitor dos Prazeres para contar um pouco da história do Samba
Leia também: Carnaval 2026 | Tijuca prepara catarse ao cantar a revolução literária de Carolina Maria de Jesus
Leia também: Carnaval 2026 | Tuiuti leva para a Sapucaí tradição Afro-religiosa Cubana
Leia também: Carnaval 2026 | Cantando o legado de Rita Lee, a Mocidade busca o 7º campeonato
Leia também: Carnaval 2026 | Niterói debuta no Grupo Especial com enredo que tem estrela

GRANDE RIO
Ficha Técnica:
Fundação: 22/09/1988
Cores: Vermelho, Verde e Branco
Presidentes de Honra: Jayder Soares, Leandro Soares e Helinho de Oliveira
Presidente: Milton Abreu do Nascimento (Perácio)
Quadra: Rua Almirante Barroso, 5 e 6 – Duque de Caxias – RJ – CEP 25010-010
Barracão: Cidade do Samba (Barracão nº 04) – Rua Rivadávia Correa, nº 60 – Gamboa CEP: 20.220-290
Telefone Barracão: (21) 96419-1048
Site: www.academicosdogranderio.com.br
E-mail: [email protected]
Imprensa: Daniela Lima
Tel.: 21 99753-8728
Em 2026:
Enredo: “A Nação do Mangue”
Carnavalesco: Antônio Gonzaga
Diretor de Carnaval: Thiago Monteiro
Intérprete: Evandro Malandro
Mestre de Bateria: Fabrício Machado (Fafá)
Rainha de Bateria: Virginia Fonseca
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Daniel Werneck e Taciana Couto
Comissão de Frente: Hélio Bejani e Beth Bejani







