O cinema brasileiro surgiu no final do século XIX com o cinematógrafo francês e logo se popularizou no início do século XX. Em 1907 já eram mais de 20 cinematógrafos fixos no Rio de Janeiro e crescia exponencialmente a demanda por essa novidade. A exibição de imagens em movimento passou a ser entretenimento e, principalmente, um recorte do que o país estava vivendo ano após ano.
Com o fim da Primeira Guerra Mundial, as produções europeias perderam força e os Estados Unidos se consolidou como o maior produtor e exportador de cinema no mundo. Isso impactou diretamente o Brasil, principalmente na formação de gosto e na compreensão do que passou a fazer sucesso por aqui.

Os filmes hollywoodianos entraram em território brasileiro com isenção de taxas alfandegárias e passaram por cima das produções locais que, na época, muitas vezes eram produzidas pelos próprios donos das salas de cinemas. O enfraquecimento da produção de cinema brasileiro foi o que levou os realizadores a repensarem o “bem-fazer” cinematográfico a fim de reconquistar o mercado nacional.
Na década de 30, surgiu o primeiro grande estúdio: a Cinédia. As produções eram majoritariamente dramas e comédia musicais. No entanto, com o crescimento agressivo da importação de obras para as salas de cinema, o público passou a priorizar aquilo que estava sendo produzido nos Estados Unidos. Sendo assim, a Cinédia enfrentou problemas com a distribuição e fechou as portas em 1951, tendo produzido mais de mil curtas-metragens e 93 longas.

Cinema brasileiro colocando o Brasil como foco
O cinema brasileiro perdeu lugar para as produções estadunidenses que passaram a moldar o mercado audiovisual em todo o globo. As obras tinham como característica a linearidade cronológica, três atos bem definidos e um final feliz. Essa foi a fórmula do sucesso que invadiram as salas de cinema no país no início do século XX.
O Brasil, portanto, se viu na necessidade de acompanhar esse modelo de produções para tentar fazer do próprio cinema uma indústria. E nasceu os Estúdios Vera Cruz que de imediato propunha um cinema extremamente popular e divertido, filmes como Tico-tico no Fubá (1952) e os filmes do Mazzaropi

Na ocasião, também tinha o estúdio Atlântida Cinematográfica que radicou um gênero que viria a se popularizar no cinema brasileiro: as chanchadas. Eram comédias carnavalescas que brincavam com o cotidiano para produzir humor. Posteriormente, surgiu uma vertente desse gênero, a pornochanchada. Era igualmente popular, mas trazia junto com a comédia um erotismo verbal e imagético para as telas.
O Cinema Novo e o questionamento da arte como entretenimento
Na década de 50, um grupo de jovens cineastas passaram a questionar a indústria cultural e a tentativa do cinema brasileiro de se aproximar com Hollywood. Eles deram início a um movimento cinematográfico e chamaram de Cinema Novo. As obras eram cruas e de baixo orçamento, inspiradas principalmente no Neorrealismo Italiano.
“Uma câmera na mão, uma ideia na cabeça” este era o lema desses cineastas que queriam fazer a diferença no audiovisual do país. Os filmes tinham um pessimismo que refletia as dores do Brasil, como a fome, violência e outros anseios.

Glauber Rocha foi um dos grandes expoentes desse movimento que teve ainda mais relevância após o golpe militar de 1964. O filme Terra em Transe (1967) do diretor, por exemplo, conversa diretamente com o contexto político do momento, fala sobre guerra por poder, liberdade de expressão e censura.
Ainda na década de 60, questionando o rumo que levou o Cinema Novo ao atingir grandes massas, surgiu o Cinema Marginal. O nome referia-se ao fato desses filmes não terem o mesmo espaço nos circuitos e sempre estarem “à margem” da indústria cultural. Seus precursores foram Rogério Sganzerla (O Bandido da Luz Vermelha, 1968) e Júlio Bressane (O Anjo Caiu, 1969).

O reflexo desses movimentos no cinema atual
Outros diversos filmes vieram em seguida no decorrer das décadas e todos eles tiveram e têm espaço reservado no acervo de boas histórias que compõem o cinema brasileiro. Cada embate filosófico, imagético e sensorial trata-se de um reflexo das transformações da nossa sociedade e todos esses momentos, movimentos e fases, são ricos em perspectivas que exploram a vastidão cultural do Brasil e, portanto, merecem a devida valorização.
O cinema brasileiro segue fazendo a diferença na construção de engajamento cívico e intelectual. Mas, acima de tudo, não abandonou os primórdios de ser um recorte do nosso tempo ou até mesmo um simples entretenimento. Fato é que a resistência ainda é grande, mas a história provou que até nos momentos de adversidades, é possível ser impactado com histórias extremamente singulares aqui no Brasil e por isso esse cinema é tão especial.
Veja a seguir nossa live especial sobre os melhores filmes brasileiros: