Nem a chuva dos dias anteriores foi pareo para o clima do primeiro dia de LollaBr 26
O primeiro dia do Lollapalooza Brasil 2026 começou com um obstáculo quase inevitável: a lama. Grande protagonista de outras edições, a lama se fez presente, ainda que timidamente. No entanto, após dias de chuva em São Paulo, o Autódromo de Interlagos recebeu um público disposto (e bem paciente) para enfrentar o terreno instável do início do dia.
Mas o festival teve sorte (e muita reza nossa!). Ao longo da tarde, o tempo abriu, o chão começou a responder de maneira positiva e a experiência mudou completamente de tom. A noite veio seca, fresca e muito mais confortável, permitindo que o Lolla finalmente encontrasse seu ritmo e nos lembrasse porquê é um festival tão amado.
Doechii domina o palco e entrega um dos melhores shows do dia
Doechii não apenas se apresentou, ela tomou conta do palco. Com uma presença magnética, pés descalços e uma performance afiada, a artista entregou um dos shows mais completos e interessantes do primeiro dia. Foi realmente de arrepiar!

Existe uma segurança muito clara na forma como ela se coloca: cada movimento, cada interação e cada música parecem pensados para criar impacto. E criam. Doechii não só se destacou, ela elevou o nível do festival logo de cara e nós nos derretemos de amores por ela.
Sabrina Carpenter prova seu alcance com um pop eficiente e carismático
Sabrina Carpenter trouxe o equilíbrio perfeito para o line-up. Seu show foi leve, bem estruturado e com uma execução quase impecável dentro da proposta pop.
O grande mérito aqui é o controle: Sabrina não precisa exagerar para conquistar. Ela sustenta o público com carisma, repertório forte e uma presença de palco que funciona justamente por parecer natural. Foi um daqueles shows que fluem e ficam com a gente, sabe?

Sua leveza e graça sustentam perfeitamente o posto de headliner por muitas vezes contestado da nossa loirinha. Ela veio pra provar que merece sim esse lugar, jamais vimos o autódromo com um público tão conectado e presente! Para onde olhávamos era difícil ver espaços livres, era como se todos estivessem ali para ver aquela pequena estrela brilhar e provar o seu valor.
Outros destaques do line-up no primeiro dia do Lollapalooza 2026
Além dos principais nomes, o primeiro dia também teve outros momentos que ajudaram a construir o saldo positivo do festival.

Artistas de diferentes estilos como Deftones, Scalene, Negra Li e Kygo conseguiram aproveitar o público já aquecido no fim da tarde e início da noite, com apresentações consistentes e boa resposta da plateia. Mesmo sem grandes picos, houve uma sensação geral de line-up bem distribuído, o que contribuiu para a experiência mais equilibrada ao longo do dia.
Saída do Autódromo ainda é cansativa e desorganizada
Se dentro do festival o cenário melhorou com o passar das horas, o mesmo não pode ser dito da saída.
A dispersão do público voltou a ser um dos pontos mais críticos: caminhadas longas porém de forma muito lenta e desorganizada, espera excessiva e sensação de caos generalizado marcaram o fim da experiência.
É o tipo de problema que pesa ainda mais depois de um dia inteiro de festival — e que já deixou de ser exceção para virar padrão.
Estrutura do Lollapalooza precisa evoluir com o tamanho do evento
O Lollapalooza Brasil cresceu e muito! Hoje, ocupa boa parte do Autódromo de Interlagos, mas ainda não aproveita todo o potencial do espaço.
A comparação com o The Town é quase inevitável. O festival mais recente mostrou que é possível pensar melhor a distribuição de público, acessos e circulação de forma mais eficiente.
O Lolla já tem relevância, público e tradição suficientes. O próximo passo parece claro: evoluir a experiência como um todo, não só a line-up.
Balanço do primeiro dia do Lollapalooza Brasil 2026
Entre lama, clima instável e grandes apresentações, o saldo do primeiro dia é positivo e até acima do esperado considerando o início de lama e o perrengue da volta.
Doechii e Sabrina Carpenter entregaram momentos memoráveis, o tempo ajudou a transformar a experiência e o festival mostrou mais uma vez sua força. Ainda assim, questões estruturais seguem como alerta.
Porque, no fim, o Lollapalooza é gigante, mas precisamos que funcione em estrutura tal qual a magnitude de seu legado.









