Há incontáveis formas de se tornar imortal e inesquecível. Formas essas que ultrapassam o nível ético e moral estabelecido por qualquer sociedade e tempo. Disso, Elvis Presley entendia bem: ser imortal tem seu preço e, muitas vezes, é muito além do que se espera. Ainda mais quando se depara com figuras como Tom Parker (Tom Hanks).

O ícone do Rock no século XX passou por inúmeras coisas em sua carreira brilhante e terrivelmente rápida. O cantor, que morreu aos 42 anos, viu sua ascensão, ruína e morte diante dos próprios olhos. A saber, quem conta tudo isso de forma genial e complexa é Baz Luhrmann, diretor de ELVIS, musical dramático que chega aos cinemas no dia 14 de julho.
Certamente, há muitas maneiras de contar uma história caótica com perspectivas completamente diferentes. Entretanto, o ponto que Luhrmann escolheu fascinou todos que tiveram a oportunidade de contemplar a obra. É justo dizer que a arte e o caos dançaram de forma sincronizada no espetáculo que o longa entrega. Podemos ver nos olhares, escolhas e abdicações, o modo como cada decisão tomou conta do projeto que não só conta a vida de Elvis, como traz a perspectiva de Tom Parker, seu questionável empresário da época.
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O fator Tom Parker
Tom Parker foi feito por Tom Hanks e aqui já começamos a entender a potência simbólica do filme. Afinal, a genialidade com que Hanks entrega o papel é inquestionável. Se bons diretores e produções dão ao ator a possibilidade de brilhar, podemos dizer que aconteceu exatamente isso. Mas seria raso perto da magnitude do ator em ação. Porém, houve muito mais do que atuações brilhantes. Isso porque Hanks trouxe para cena o rancor, a raiva e a dicotomia entre querer que um personagem morra ao mesmo tempo que clamamos pela vida útil com tempo de sobra para se pagar todos os crimes cometidos.

Elvis, no entanto, não foi só uma vítima de Parker. E o filme é exatamente sobre isso. O astro do Rock acabou sendo vítima de suas próprias escolhas eloquentes e cheias de desdobramentos. A cena icônica do cantor no palco contrariando todos e cantando o que queria de fato cantar entrou para a história por ser exatamente o que uma estrela faria: contra tudo e todos, entrar para a memória e se tornar imortal. Para esse espetáculo, Austin Butler dá vida ao artista e quase gera uma nostalgia pela semelhança profunda e bem trabalhada.
Um filme para marcar o cinema em 2022
ELVIS é uma obra de arte em muitas camadas. Ao trazer o caos às telas, Luhrmann nos presenteou com um espetáculo cultural e histórico. A vida, a arte, a ascensão e a morte de Elvis Presley ainda pode ser sentida pelo mundo que teve – com permissão para dizer – a sorte de presenciar uma estrela contraditória e potencialmente diferenciada. O filme, que estreia no dia 14 de julho, será certamente uma aposta para as maiores premiações do cinema.

“Um trapaceiro só é bom quando domina a arte da distração” dito por Tom Parker é um dos grandes motivos da maior lenda da história ter caminhado para rumos inexplicáveis. Elvis Presley, que temia o esquecimento, se consagra mais uma vez como um dos maiores em uma obra que funciona perfeitamente como homenagem – ainda que não tão diretamente e escancarada (que bom!).