Jake Bugg, o prodígio de Nottingham que conquistou o mundo com seu álbum de estreia autointitulado, volta aos holofotes com A Modern Day Distraction. Seu sexto trabalho de estúdio marca um retorno ao indie rock e ao blues que o transformaram em uma estrela, após um período de experimentação com sonoridades mais pop em álbuns anteriores, como Saturday Night, Sunday Morning.
Com este novo projeto, Bugg aposta na fórmula que o consagrou: letras introspectivas e sinceras, acompanhadas por uma sonoridade rica em guitarras marcantes e ritmos cativantes. Ainda que não alcance a genialidade de seu álbum de estreia, A Modern Day Distraction é uma obra sólida, repleta de momentos memoráveis que evidenciam o crescimento do artista ao longo da última década.
Um começo arrebatador
O disco abre com força total, estabelecendo sua identidade sonora desde a primeira faixa. Zombieland, o single de estreia, combina riffs de guitarra carregados de energia com um refrão irresistível. A letra aborda as dificuldades e os sacrifícios enfrentados pela geração atual, mantendo um tom otimista. Em seguida, All Kinds of People traz uma mensagem universal de resiliência e empatia, enquanto o groove contagiante e o baixo pulsante tornam a faixa perfeita para balançar a cabeça.
Outra joia do início do álbum é Breakout. Aqui, Bugg explora o desejo de liberdade diante de uma vida difícil. Destaque para o solo de guitarra no final e o inesperado toque de violão espanhol, que confere um sabor único à composição.
Reflexões emocionais
Após o impacto inicial, Bugg diminui o ritmo com Never Said Goodbye, uma balada emocionante escrita em resposta à perda de duas pessoas próximas. Com sua carga emocional e melodia envolvente, a faixa é, sem dúvidas, um dos pontos altos do álbum. Na sequência, I Wrote A Book traz uma abordagem mais esperançosa, explorando a importância de viver o momento e narrar sua própria história.
Essas faixas demonstram a habilidade de Bugg como contador de histórias, utilizando descrições vívidas e metáforas sutis para conectar-se com o ouvinte.
Na segunda metade do álbum, Bugg oferece uma mistura de influências clássicas e momentos de experimentação. Waiting For The World destaca-se pelo riff central cativante, enquanto a espirituosa Instant Satisfaction reflete sobre os perigos da busca por alívios instantâneos, como redes sociais e vícios modernos. Com uma batida envolvente e inspiração no bluegrass e nos Rolling Stones, a faixa é um dos momentos mais marcantes do disco.
Por outro lado, algumas músicas como Got To Let You Go e Keep On Moving soam um tanto previsíveis. Com vocais elevados e riffs que remetem à era de ouro do rock, essas canções trazem uma vibe nostálgica, mas sem o mesmo brilho que faixas similares de artistas contemporâneos como The Lemon Twigs.
Ainda assim, o álbum encerra com força. All I Needed Was You e Beyond The Horizon se destacam por seus arranjos de cordas delicados e performances vocais comoventes. O grand finale, Still Got Time, entrega uma última explosão de energia com um refrão poderoso e um trabalho de guitarra impressionante, deixando o ouvinte com uma sensação de conclusão épica.
Conclusão
Embora A Modern Day Distraction não atinja o nível do álbum de estreia de Jake Bugg, é inegável que este é um passo significativo em sua trajetória. Ao retornar às suas raízes, Bugg recupera parte da essência que encantou o público no início de sua carreira, apresentando um trabalho consistente e coeso.
Com momentos de introspecção, energia e lirismo envolvente, este álbum é um lembrete de que Jake Bugg ainda tem muito a oferecer ao cenário musical. Para os fãs antigos, A Modern Day Distraction é um presente nostálgico; para os novos ouvintes, uma porta de entrada para o universo de um dos talentos mais singulares da última década.
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