A Netflix continua sendo um dos nossos refúgios nessa época tão sombria da humanidade, trazendo diversos conteúdos novos, e também de diferentes gêneros. E foi a vez o novo thriller de terror O Diabo de Cada Dia baseado na obra de Donald Ray Pollock, e dirigido por Antonio Campos chegar na plataforma de streaming.
A saber, quando o primeiro trailer do filme foi lançado, o que mais chamou a atenção claramente foi o elenco, recheado de estrelas. Com nomes como Tom Holland, Sebastian Stan, Mia Wasikowska, Bill Skarsgård, Robert Pattinson e muitos outros.
Com isso, quando assisti o trailer não me atentei tanto a história do filme, o que talvez tenha sido ótimo para minha experiência, afinal, posso dizer que minha experiência foi no mínimo, surpreendente.
Podemos considerar O Diabo de Cada Dia como um filme além de um terror psicológico e gráfico, um filme de drama.

A História
O filme é contado com uma narração em off, como se tivesse alguém tivesse contando a história para os espectadores. A história se passa entre a Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã. O narrador logo no inicio aponta dois locais em um mapa, nos mostrando pequenas cidades nos estados de Ohio e Virginia, nos Estados Unidos. Aqui que se passará o enredo do filme.
O enredo do filme nos mostra duas passagens de tempo, contando uma história com violência e tragédia interligando um veterano de guerra, seu filho, um pastor abusivo, um xerife que faz tudo por seu status e um casal de serial killers.
A maneira como a trama interliga seus personagens é a chave da história, mesmo com alguns personagens não tendo nenhum contato direto no filme, o enredo faz suas tramas se chocarem em algum momento. E suas histórias se fecham de forma completamente natural.
A mensagem de O Diabo de Cada Dia é jogada na cara do espectador o tempo inteiro, o abuso e uso da violência praticados pela fé em Deus. Todos os atos trágicos e violentos são usados por seus personagens em nome da sua fé. O que os torna mais chocantes ao decorrer do filme.

Além disso, os atores estão completamente comprometidos aos seus papéis, eles entregam uma interpretação forte, e com sotaque carregados do sul dos Estados Unidos.
Eu não consegui escolher o melhor, pois todos dão um show a parte. Porém o que mais me chamou atenção claramente foi o Tom Holland. Talvez por ter a imagem do Homem Aranha gravada na memória, mas o ator entrega um personagem tão diferenciado, que não tem como você não assistir e se tocar por sua interpretação.

A experiencia de O Diabo de Cada Dia
Assim como eu disse no inicio do texto não lembrar da história do filme me trouxe uma ótima experiência assistindo. O Diabo de Cada Dia realmente define o que vemos desde o inicio do filme. Dor, tragédias, sofrimentos. E tudo isso por atos falhos de seres humanos.
Não por um vilão, como temos vistos em diversos filmes nos últimos tempos. Mas sim pelo mal que tem enraizado dentro de cada ser humano.
O diretor diversas vezes não nos deixa digerir algumas situações, afinal todo o clima do filme é feito para nos deixar angustiados. Deixando o espectador esperando uma tragédia eminente a qualquer momento.
Com ajuda de uma fotografia soturna, o diretor usa takes focando nos rostos dos atores, e uma trilha sonora que invade o filme a todo momento. Nos dando apenas um sentimento a cada cena mostrada: desconforto.

O problema do filme talvez seja somente um, a falta de alma, isso na questão audio visual, você claramente ve muitas inspirações de outros filmes do gênero. Claro isso não é um demérito mas ainda assim precisa ser pontuado.
O Diabo de Cada Dia é um filme que mostra que o mal está enraizado no ser humano, e poder ser despertado tanto por um acontecimento no seu passado, ou por já estar na sua natureza, ou simplesmente por uma tentativa de sobrevivência. No final ele está em todos nós, e em algum momento vamos acabar tendo que utiliza-lo.
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