A quarta temporada traz muita História, tristezas e, mais uma vez, o quanto é difícil ser da realeza

As premiações de The Crown
“The Crown” é uma websérie produzida pela Netflix. A saber, a série foi criada e escrita pelo dramaturgo Peter Morgan, experiente quando se trata em escrever dramas históricos. Afinal, é autor do filme “The Queen” de 2006, indicado a diversas categorias no Oscar e estrelado pela atriz Helen Mirren.
A websérie estreou no streaming no final de 2016. Deste então, The Crown vem arrancando ótimas críticas e elogios não só do público, mas também dos especialistas. Por isso, já teve inúmeras indicações a prêmios e ganhou muito desses prêmios. Entre eles estão o Globo de Ouro de Melhor Série Dramática e de Melhor Atriz em Série Dramática (Claire Foy); Critics’ Choice Television Award de Melhor Ator Coadjuvante em Série Dramática (John Lithgow); Prêmio Emmy do Primetime: Melhor Ator Coadjuvante em Série Dramática (John Lithgow); Prêmio do Sindicato dos Atores: Melhor Atriz em Série Dramática (Claire Foy); British Academy Television Award: Melhor Figurino. Apesar da lista enorme, esses são alguns dos prêmios ganhos apenas com a primeira temporada.

O foco de The Crown agora é feminino
Diante de todo este sucesso e dos diversos prêmios, a Netflix continuou a produzir outras temporadas de The Crown. Inclusive, a quarta estreou essa semana. Desta vez, o enredo mostra a força e determinação de três personagens femininas. A saber, a própria Rainha Elizabeth II (Olivia Colman), Margaret Thatcher, interpretada por Gillian Anderson e Lady Diana ( Emma Corin ). A rainha permanece com toda sua segurança construída ao longo dos anos como chefe do Estado. Enquanto isso, Margaret Thatcher é a primeira mulher eleita como Primeira-Ministra na década de 1970. Lady Di, por sua vez, torna-se muito querida pelo povo por conta de seu carisma.
A Liderança de Três Mulheres Diferentes Num Mesmo Império

O Conflito da Rainha
Logo no primeiro episódio da websérie, tem uma cena que choca o espectador. Isso porque foi muito próxima do que realmente aconteceu. O que foi atestado pela chefe de pesquisa Annie Sulzberger e pelo produtor que comanda o departamento de roteiro Oona O’Beirn. E é neste contexto que o espectador encontra uma Rainha Elizabeth mais segura de seu papel como representação de um governo.
Entretanto, apesar da força de sua liderança, por outro lado, a Rainha se sente insegura sobre seu papel de mãe. Ainda mais quando se depara com uma Primeira-Ministra que trabalha duro, mas que também administra sua família e seus filhos. É claro que a Rainha se preocupa com sua família. Porém, de forma puramente “profissional” e isto fica cada vez mais claro em relação ao Príncipe Charles. Elizabeth se encontra tão segura de sua posição que, enquanto o Reino Unido vive um caos político e econômico, ela e toda a família real se preocupam com um cervo.
A vez de Margaret Thatcher
Ao lado da Rainha, é apresentada a figura de Margaret Thatcher. A Dama de Ferro teve um papel importantíssimo na história britânica, sendo Primeira-Ministra entre os anos de 1979 e 1990. Até hoje é motivo de elogios e críticas por especialistas. Afinal, foi ela que reduziu o papel do Estado no Reino Unido e incentivou o livre mercado. Entretanto, isso fez com que o desemprego aumentasse (como pode ser visto em um dos episódios)
Por outro lado, teve que se provar para a Rainha, para o Parlamento formado pelos homens mais conservadores da corte e para o povo britânico. Isso num momento em que o Reino Unido passava por diversas crises. Além disso, teve que lidar com questões pessoais. Porém, a série peca ao não mencionar muito desta figura importante para a Inglaterra e para o mundo (suas ideias e medidas são estudadas até hoje em cursos como Economia e Administração Pública). De certa forma dá para entender, pois é uma série que trata da família real britânica, mas deixa a desejar, diferente do papel que Churchill recebeu em temporadas anteriores.
Diana, a princesa do povo
Mas quem realmente toma conta dos holofotes e causa ciúme em vários personagens é a Princesa Diana. A Netflix não deixou a desejar e satisfez a ansiedade dos fãs da websérie para ver como a Lady Di seria retratada. Tanto fisicamente quanto em interpretação. Logo no início tem-se uma Diana Spencer muito jovem e que se apaixona e se encanta desde o primeiro momento pelo Príncipe de Gales. O olhar inocente e sonhador da menina consegue explicar todo o fascínio que o público tinha pela Lady, sem mencionar a beleza. Linda, jovem, discreta (o tempo todo olhando para baixo), nobre: tudo o que era preciso para ser a mãe do herdeiro do trono da Inglaterra e futura rainha.
E foi assim que Diana conquistou o povo britânico, despertando o ciúme do próprio Charles e a ira da Rainha e da corte cheia de protocolos que Diana não tinha medo de quebrar! Por exemplo, quando levou o príncipe William, ainda bebê, para uma viagem oficial pela Austrália e Nova Zelândia. Mas também é possível observar toda a angústia da personagem quando, ainda no noivado, ela se hospeda no palácio e passa a maior parte do tempo sozinha e isolada. Nesse contexto, começa um dos dramas mais tensos e importantes da série e que Diana realmente viveu. Diana veio a público falar sobre o assunto: a bulimia. Certamente, isso também gerou bastante incômodo na família de Charles:

A Margaret que não é a Thatcher
Diante de tantas personagens fortes, há uma que ficou um tanto de lado nesta temporada. Isso é triste, pois a atriz que a interpreta sempre arrasa em seus trabalhos. Trata-se da Princesa Margaret, encarnada pela atriz Helena Bonham Carter.
Margaret foi a irmã da Rainha Elizabeth e, como visto nas outras temporadas, estava sempre escondida dos holofotes. Porém, tendo que sempre se comportar, não podendo dar um passo sem autorização de Elizabeth. Na quarta temporada, o espectador não a vê muito, somente de longe, no canto dela. Ela dava opiniões somente quando necessário.No estanto, estava sempre observando, analisando e julgando cada ato de cada membro monárquico. No decorrer da série, entende-se que este afastamento foi proposital, culminando na conclusão de um episódio especificamente tenso, dramático e esclarecedor: mostrar que Margaret ia perdendo cada vez mais espaço na realeza.

Porque The Crown é tão boa?
“The Crown” tem diversas qualidades como o fato de ser muito bem escrita, fazendo com o espectador queira saber mais e mais da história mesmo já tendo noção do que vai acontecer por ser baseado em fatos. Dessa forma, a precisão histórica também é um ponto alto, mesmo tendo em mente que é uma dramatização. Assim, nesta última temporada lançada, pode-se conhecer o clima que a Inglaterra (e o Reino Unido) estava vivendo no final da década de 1970: crise econômica (o mundo vivia uma grande crise econômica e um dos motivos foram as duas Crise do Petróleo), recessão, questões políticas com outros países – colônias inglesas, por exemplo – guerras e conflitos, incluindo a ação de grupos terroristas como o IRA – Exército Republicano Irlandês.
A fotografia, a trilha sonora, os atores, os figurinos estão impecáveis. A maioria dos atores são bastante parecidos fisicamente com os personagens da vida real, o que gera ainda mais empatia com o público. Mas também o fato de alguns atores não serem tão parecidos, não interfere em nada na qualidade da produção. Esta quarta temporada veio para coroar de vez a websérie como uma das mais bem realizados produções da história do entretenimento. Veio também para reforçar o quanto a Família Real Britânica tem seus problemas pessoais e que a vida de nenhum membro é um conto de fadas como confirmado recentemente pelas notícias sobre o afastamento do príncipe Harry e de sua esposa.
Como a Websérie histórica conversa com os dias atuais
Neste ponto, pode-se fazer, inclusive, uma analogia ao modo como a maioria das pessoas vivem hoje através das redes sociais. Assim como a Elizabeth e sua família vivem de uma grande aparência (desmistificada, em grande parte, pela figura da Lady Di na série), as pessoas “se vestem” de um personagem que elas não são. Isso é mostrado através do Facebook e, principalmente, do Instagram com fotos perfeitas, muito bem montadas, colocadas e uma frase de efeito na legenda.
Não pode esquecer que a série ainda trabalha com assuntos delicados e importantes para a sociedade atual como a bulimia e a depressão. E desperta a vontade no espectador de pesquisar mais sobre a História da Inglaterra e da Família Real Inglesa (e do mundo já que aborda temas e acontecimentos que foram importantes para a História Mundial).
Todas as temporadas de “The Crown” podem ser vista na Netflix.
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