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Home Entretenimento Filmes

O cinema no Brasil não esta morto – Crítica de Marte Um

Murilo Guislotti by Murilo Guislotti
21 de maio de 2023
in Filmes, Reviews
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O cinema no Brasil não esta morto - Crítica de Marte Um
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Em 2022 esse filme chegou aos cinemas. Tendo participado de um dos festivais mais populares do mundo, o de Sundance, Marte Um chegou para mostrar os conceitos de uma boa historia nacional, uma mudança de pensamento e o principal de tudo: O Cinema no Brasil não esta morto. O Cinema no Brasil não esta morto.

A prova de que o cinema no Brasil não morreu. Marte Um conta a história da família Martins, uma família que se encontra morando em Contagem, Minas Gerais.
Pôster de “Marte Um”

Marte Um conta a história da família Martins, uma família que se encontra morando em Contagem, Minas Gerais, e que sofre de problemas cotidianos de uma família de classe-média baixa. O centro da história está em Deivinho, um garoto que almeja se tornar participante do programa da NASA, Marte Um, um colonizador de Marte. Porém, problemas maiores prejudicam seus sonhos e a família exerce uma pressão para Deivinho seguir outros caminhos.

Os aspectos técnicos de uma produção nacional normalmente são vistos como algo abaixo, aspectos esses que nesse filme não podem ser colocados em discussão por falta de qualidade. O uso de uma montagem mais lenta e precisa, quase que observando o cotidiano da família deixa tudo muito coeso e calmo. Alguns podem achar o filme cansativo por sua enorme falta de ações, mas essa montagem precisamente calma nos leva para um caminho de acontecimentos quase sufocantes com personagens que irão nos conquistar por tamanha qualidade de roteiro para criar identificação.

Gabriel Martins tem uma capacidade de entender seus limites orçamentários e optou por situações das mais diversas em sua rodagem. Câmera em plano geral, parada, acompanhando trajetórias. Plano detalhe para evidenciar certos sentimentos e reações que precisam ficar evidentes para a historia seguir, visto que muito desse filme é sentido e não falado (Regra numero um do cinema: Não me conte, me mostre). Gabriel faz o simples, só não confundam o simples com o fácil, o simples é muito difícil de ser bem feito.

Quando menos se espera, tudo o que está acontecendo ali é quase documental, tendo uma parcela enorme de realidade sobre acontecimentos básicos da vida de um ser humano, como o fato de uma filha estar com idade e querer sair de casa e os pais arrumarem argumentos absurdos para que ela não possa fazer isso. A questão nisso tudo é que um relato atrás de um relato nos molda como parte da família, como parte de tudo o que esta acontecendo ali.

O contexto político nos estabelece em quando essa historia se passa, mas definitivamente não consegui perceber o peso que os acontecimentos ali passados influencia a vida desses personagens. O valor é grande, visto o ano que o filme foi lançado e o viés político que cada um pode ter, mas o processo de inclusão disso é algo que nos estabelece também uma linha temporal, desde o momento que o presidente foi eleito (cena inicial) e o momento de sua posse (cena final). Dito isso, acredito que esse estabelecimento seja para credenciar o filme em uma camada de aceitação e entendimento para o público, colocando em evidencia fatos históricos que percorreram o mundo.

O maior problema do cinema brasileiro, pelo menos é algo que ainda me incomoda, é a alta quantidade de atores mais velhos que não perderam o comodismo de, por vezes, atuar de maneira mecânica, como em uma época passada era mais natural ser assim. Essa falta de evolução me traz desconforto em certas cenas, mas o processo é contínuo e aos pouco se esquece esse fator e a atuação se torna algo palpável e com uma enorme qualidade emocional. Em compensação, o elenco jovem desse filme trabalha a naturalidade, o pesar e a delicadeza de forma magistral. Esse pode ser um embate de atuação geracional, algo que pode e deve melhorar nos próximos anos no cinema nacional.

É um filme raro, com coração, mente, mensagem e o mais importante: ele esbanja amor e carinho. Tudo está ali, nos mínimos detalhes, é artístico, imponente, tem defeitos e isso não é demérito, só evidencia exatamente as limitações que todos tiveram e organiza o que precisa evoluir para que a arte no Brasil exploda como em outros países. 

Tags: cinema nacionalmarte um
Murilo Guislotti

Murilo Guislotti

Crítico de Cinema, Apresentador e Leitor de Quadrinhos.

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