Sex Education, uma das séries originais da Netflix mais queridas pelo público e pela crítica, chegou ao seu fim nesta nova temporada. O encerramento foi feito em um momento bom, antes que a produção se estendesse e perdesse sua essência.
Atenção: Este texto contém spoilers!
Pontos Positivos
Um dos pontos altos da quarta temporada e merecem destaque são os personagens novos, que apesar de receberem críticas negativas de uma parte da audiência cativaram outra grande parte, principalmente o vale LGBTQIAPN+.
Em especial, uma cena foi muito importante, o momento de sexo entre o Roman e a Abbi que são personagens trans.
Além de representativo para essa comunidade, também mostra que a diversidade é grande e existem inúmeras possibilidades de se relacionar sexualmente. Os papéis de gênero não são obrigatórios, e isso não faz ninguém ser menos homem ou menos mulher por fugir dessa norma.
Outro arco importantíssimo foi a relação do Eric com a religião, visto que muitas pessoas LGBTQIAPN+ vivem em conflito com suas espiritualidades.
Deus aparecer em forma de uma mulher negra foi genial, visto que no imaginário das pessoas Deus mesmo sem ter gênero é visto como um homem branco e velho. Fruto de uma sociedade patriarcal, racista e machista.
O relacionamento abusivo entre a Viv e o Beau também vale menção honrosa. Os avisos de alerta servem como bom exemplo para as pessoas ficarem atentas.
Como ser mãe solo é difícil, como superar abuso sexual é demorado, e positividade tóxica também são outros assuntos bastante mostrados nessa temporada.
Esses temas merecem destaque, e elogios pela forma delicada de abordagem. São assuntos necessários pouco falados nas séries e filmes.

Pontos Negativos
Mas nem tudo foi feito de forma boa na narrativa, visto que Yasmin Benoit consultora de Sex Education e ativista sobre assexualidade falou que ficou decepcionada que importantes momentos foram cortados ou mudados sobre a personagem assexual O.
Além disso, a personagem foi vilanizada e trouxe estereótipos negativos sobre pessoas com falta de atração sexual e ou romântica.
Outros temas ficam superficialmente colocados não apenas nesta temporada, mas em todas. Levando em consideração que existem muitos personagens no elenco.
A questão de personagens com deficiências foi pouco aproveitada, mas, pelo menos, foi mostrado com o Isaac tendo iniciado uma greve por falta de acessibilidade dentro da escola. Aisha que possui deficiência auditiva é a primeira pessoa a se manifestar em apoio.
Como a série foca em educação sexual faltou cenas de envolvimento entre personagens pdc’s nesses momentos íntimos, o que pode parecer falta de tempo de tela, na verdade é capacitismo. Já que os personagens principais sem deficiência recebem muitas cenas de sexo.

Sobre o Final de Sex Education
A temporada foi muito boa apesar dos defeitos, e se tornou a que mais aborda as vivências queers, se tornando uma referência em trazer diferentes sexualidades. A personagem não binárie Cal ganhou mais destaque.
O encerramento apesar de triste pareceu natural, foi realista o Otis e a Maeve não ficarem juntos, e apesar de fazer muita falta pela qualidade excelente da trama, que toca nas feridas, desmistifica tabus. Pelo trabalho ótimo dos atores e atrizes, foi melhor do que estender a série, como muitas fazem pelo lucro.
A qualidade dessas produções sempre caem, e como o legado foi estabelecido a equipe não quis deixar isso acontecer. Sex Education mudou a forma como a sociedade consome sexo no audiovisual, e provavelmente terá impacto nas futuras produções adolescentes.
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