A Pandemia da COVID-19 não só dizimou diversas famílias pelo mundo todo, como também deixou um rastro de morte por descaso, má gestão e negligência com a população. No Brasil, para conduzir essas investigações, o Senado instaurou uma CPI, uma Comissão Parlamentar de Inquérito, utilizada pelo Poder Legislativo, para investigar fatos de relevância pública. E é na famosa CPI da Pandemia, que Dandara Ferreira, baiana, cineasta, atriz e diretora de “Meu Nome é Gal” (2023), mergulha, revelando tudo de mais oculto nos bastidores dos embates.

Com um silêncio, por vezes, incômodo, e que nos faz lembrar de um período em que não tínhamos muitas respostas, Ferreira usa os espaços vazios do Senado, onde teve livre acesso durante toda a produção do material e trajetória da CPI, para se relacionar com o silêncio de um governo que se vitimou, enquanto milhões de brasileiros morriam dia após dia. Mas de vítima, o governo conduzido pelo então presidente Jair Messias Bolsonaro e seus pares, não tinha nada.
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A luta do senado para instalação da Comissão
Acompanhando os desdobramentos do senador Renan Calheiros, relator da Comissão, e da mesa composta pelos senadores Omar Aziz (presidente da CPI) e Randolfe Rodrigues (vice-presidente), três líderes do norte-nordeste do país, Ferreira consegue encontrar relatos importantes, da tentativa do governo e do seus pares, de atrasar a instalação da comissão, alegando inclusive a inconstitucionalidade da CPI. Numa das passagens do documentário, o próprio Flávio Bolsonaro defende o arquivamento da mesma.
Com base em toda a investigação para compor o relatório final, Ferreira conseguiu capturar momentos e pegar revelações acachapantes da ação do governo durante a pandemia, para impedir a vacinação da população. Em uma das passagens, todos admitem que a bula de um importante medicamento usado como propaganda pelo governo seria sumariamente trocada para que a população se desse como convencida. Em outro momento, revivemos a agonia de pessoas dias sem oxigênio. Tudo tratado como burocracia pela situação. Por vezes, exagero. A CPI é o fio condutor de “Anatomia do Caos” revelando a trama de um governo atuando com requintes de crueldade contra seu próprio povo.

A escalada das discussões acompanha o número de vítimas
Durante os pouco mais de 90 minutos de película, a tensão se intensifica com base em declarações falsas, assumidas pelo governo como verdadeiras, para ludibriar a população. Isso, com toques sutis das declarações arbitrárias do então presidente Jair Bolsonaro, levam qualquer um que entenda o crime que o governo federal cometeu, à loucura.

O desprezo da oposição, disposta a tudo para negar a gravidade do problema, é novamente escancarado por Dandara, que diminui os silêncios e começa a povoar a tela com agonia de vítimas, parentes e figuras relacionadas às tomadas de decisão do governo. Sem apelar, “Anatomia do Caos” dá a devida posição à todos que defenderam a integridade de uma população que merecia ter sido melhor assistida por um governo que tratava o vírus como uma “gripezinha”.
O ápice da injustiça
Com dezenas de indiciados, entre membros do governo federal, empresários, profissionais de saúde, e de outras categorias envolvidos no crime, Ferreira entrega a verdade mais nua e crua de todo o seu conteúdo: Ninguém foi punido. Ninguém foi preso. Ninguém responde por mais 700 mil mortes. O país que mais enterrou pessoas durante a COVID-19, continua enterrando dezenas de famílias dia-após-dia fazendo valer a impunidade.
Nada que seja uma novidade, mas quando você entende o grau de perversidade de um governo, que relutou a estudos e maneiras mais eficazes de se combater uma doença, por ego e poder, você entende que o nível de crueldade do governo Bolsonaro foi muito maior do que podemos imaginar.
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Documentário de Dandara Ferreira é completo
“Anatomia do Caos” é um documentário necessário, que não inocenta ninguém, só reafirma cada atitude contrária à vida das pessoas, e não nos deixa esquecer, em um ano tão importante, que todos os envolvidos estão livres para tentar nos iludir por mais 4 anos. Por acidente ou não, é obrigatório que em 2026 todos assistam um dos melhores filmes do ano. Um filme onde não temos nenhuma investigação ou verbas suspeitas na sua produção, como em um certo “Azarão”.
“Anatomia do Caos” chega hoje, 2 de Julho, aos cinemas.

ANATOMIA DO CAOS
SINOPSE
Com acesso inédito ao Senado, a diretora Dandara Ferreira acompanha de dentro a trajetória completa da CPI da Covid-19 e transforma esse material exclusivo em um registro cinematográfico de um dos momentos mais marcantes da Pandemia no Brasil.
FICHA TÉCNICA
Direção: Dandara Ferreira
Roteiro: Dandara Ferreira e Élcio Verçosa Filho
Produção Executiva: Amadeu Alban, Dandara Ferreira, Gabriel Pires, Marcio Yatsuda
Direção de Fotografia: Roberto Stuckert
Montagem: Lara Beck, Renato Sircilli
Trilha Sonora Original: Fabrício Modesto
Correção de Cor: Júnior Xis
Produção: Movioca Content House, Las Margaridas, LabAV










