A chuva não parou o público
O terceiro dia de Rock in Rio, o primeiro a ter seus ingressos esgotados, começou de um jeito que ninguém gosta: com muita chuva. Como já dizia a cantora Adriana Calcanhotto, se cariocas (nascidos no Rio de Janeiro ou não) não gostam de dias nublados, um temporal contínuo tinha toda a receita para ser um desastre. No entanto, provando que quando o rolé é bom nem mesmo a água é capaz de impedir a galera de comparecer, o primeiro dia dedicado ao pop fez todo mundo vestir sua capa de chuva e se jogar de cabeça na Cidade do Rock.
Budah representa a força feminina
Ainda que o clima tenha estragado o estilo de uma galera que passou semanas se preparando para o evento, a rapper Budah entregou estética, rimas afiadas e um som extremamente potente. Mesmo debaixo de uma chuva chata no Espaço Favela, ela mostrou que as minas do rap não vieram para brincar, dominando o público com maestria. Inclusive, a artista esbanjou simpatia e ainda concedeu uma entrevista exclusiva para o nosso veículo.

Nostalgia com o Barão Vermelho
Logo depois da abertura do Palco Mundo com o espetáculo lúdico The Flight, acompanhamos um pouco do emblemático show do Barão Vermelho. O encontro da formação original reuniu Roberto Frejat, Guto Goffi, Maurício Barros e Dé Palmeira, contando também com a participação especial de Fernando Magalhães. Foi uma apresentação histórica que resgatou a profunda ligação da banda com o Rock in Rio e prestou uma linda homenagem a Cazuza. Presente na primeiríssima edição do festival, lá em 1985, o grupo abriu os trabalhos do terceiro dia ao som de clássicos absolutos como “Meus bons amigos”, “Pense e dance” e “Bete balanço”, conectando e empolgando diferentes gerações do rock nacional.

Desafios de infraestrutura do evento
Um ponto de atenção que a organização do evento e, talvez, a Secretaria de Conservação precisem reavaliar são as áreas com acúmulo excessivo de água. Apesar de compreendermos que choveu sem parar durante o dia todo, esse tipo de situação é algo que nunca vivenciamos com tanta intensidade nas demais edições. O alagamento acabou causando, pasmem, pontos de bloqueio na circulação entre o Palco Mundo e o Sunset. Afinal, mesmo o Parque Olímpico sendo gigantesco, o espaço estava operando em sua capacidade máxima de público. Assim, ao tentar desviar de algumas poças gigantes, formavam-se verdadeiras barreiras humanas. Por outro lado, se tem uma coisa que não mudou foi a dinâmica dos banheiros: vimos filas consideráveis em algumas unidades, ao passo que outras estavam tão vazias que daria até para ensaiar as músicas da sua banda favorita lá dentro.
Nelly se emociona com o público do Palco Mundo
Antes de prosseguir, queremos deixar nossa menção honrosa ao show do BaianaSystem. Mesmo acompanhando da sala de imprensa, sentimos a energia inigualável que vinha da plateia deles. Voltando aos destaques internacionais, Nelly subiu ao palco vestindo uma camisa do Brasil e trouxe um setlist recheado de memórias afetivas. Em sua estreia no festival diretamente no Palco Mundo, o rapper de St. Louis revisitou sucessos que definiram o hip-hop da década de 2000, como “Ride Wit Me”. Um dos grandes ápices foi antes de “Dilemma”: o cantor quase foi às lágrimas, pois não imaginava que a música fizesse um sucesso tão absurdo no país. Ele pediu e foi prontamente atendido, ganhando uma plateia inteiramente iluminada pelas lanternas dos celulares. Com três Grammys no currículo e uma carreira de peso, ele fechou a apresentação com “Just a Dream”, mostrando que seu repertório continua atravessando gerações.

Black Eyed Peas transforma o festival
Mas o momento que todo o time Kolmeia mais aguardava era a explosiva apresentação do Black Eyed Peas (BEP). Ainda que muitos sintam a falta de Fergie à frente de um Palco Mundo tão grandioso, a talentosa Jessica Reynoso (a J. Rey Soul) dominou o espaço. Com muita atitude e vocais poderosos, ela marcou presença e não deixou o ritmo cair diante de uma plateia apaixonada que dançava sob a tempestade. Temos quase certeza de que, em outra vida, ela foi carioca!
Pulando essa parte, o BEP fez um show arrebatador, repleto de hits das décadas de 1990, 2000 e 2010. O grupo transformou a Cidade do Rock em uma enorme pista de dança ao som de “I Gotta Feeling”, “Pump It”, “Rock That Body” e “Don’t Lie”. Como se não bastasse a euforia, will.i.am e companhia convidaram Papatinho ao palco, soltaram vários beats pesados e clássicos do funk carioca, como o lendário “Rap do Silva”,e ainda lançaram a música inédita “We Live Up In Here”. Na boa, o show do Black Eyed Peas foi um espetáculo perfeitamente desenhado para agradar em cheio às gerações X, Y e Z.

Ne-Yo encerra noite com R&B
Encerramos a nossa intensa cobertura ao som de NE-YO. O artista esbanjou elegância e revisitou os grandes sucessos de uma carreira que ajudou a moldar a cara do R&B e do pop das últimas duas décadas. Dono de hinos incontestáveis como “So Sick”, “Miss Independent” e “Closer”, o cantor conduziu o público maravilhado por uma sequência magnética de sucessos, aquecendo os corações ensopados do começo ao fim.

A forte chuva no terceiro dia de festival não conseguiu apagar o brilho das estrelas que dominaram a Cidade do Rock, comprovando que a força da nostalgia aliada a grandes performances supera qualquer adversidade climática. O sucesso avassalador desses ícones do início do milênio dita uma tendência clara para o mercado de shows: a música pop clássica continua sendo o maior combustível para atrair e emocionar multidões. Afinal, um bom espetáculo é um abrigo seguro que nenhuma tempestade é capaz de derrubar.
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