Dirigido pelo já Oscarizado Asghar Farhadi (“A Separação” e “O Apartamento”), o iraniano dessa vez, retorna à França, com uma história sobre arte, ilusão e expectativa. Na mostra Panorama Mundial do Festival do Rio 2026, “Contos Pararelos” é a fatídica hsitória que contada como um conto, aumenta-se um ponto. Essencialmente francês, o filme tem a tensão característica de Farhadi, mas demonstra recursos refinados durante, principalmente, a construção de seus personagens.

Elenco tem nomes famosos do cinema mundial
Encabeçado por Isabelle Huppert (“Elle”) e Vicent Cassel (“Cisne Negro”), “Contos Pararelos” leva para a tela grande uma obra que funciona como um inteligente estudo metaficcional sobre até que ponto escritores e

artistas canibalizam a dor alheia em nome da arte, entregando um exercício narrativo elegante que desafia a cumplicidade do próprio espectador.
Protagonista enfrenta bloqueios criativos
Sylvie (Isabelle Huppert) é uma romancista conceituada em Paris que atravessa um grave bloqueio criativo. Para encontrar material para seu próximo livro, passa a espiar discretamente pelas janelas do seu apartamento a rotina e as intimidades dos vizinhos do prédio em frente. Ao perceber que o apartamento que observa, foi onde a sua própria família morou, Sylvie entra em um lopping de realidade e imaginação que até mesmo nos confunde enquanto público.
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Sylvie não se contenta apenas com a posição de espectadora: aos poucos, começa a manipular pequenos acontecimentos no edifício vizinho para testar hipóteses narrativas e ver como as pessoas reagem na vida real. A linha entre curiosidade artística, intrusão e invenção desmorona, provocando mal-entendidos, conflitos éticos e consequências irreversíveis sobre relacionamentos alheios e sobre a própria sanidade criativa da escritora.
Dinâmica entre Bessa e Huppert é o mais interessante da história
O filme conta com um drama crescente, que vive na cabeça da escritora, mas ganha contornos perigosos quando ela divide suas possibildiades criativas com um jovem assistente, Adam, muito bem interpretado por Adam Bessa. Os dois se dividem em uma trama de perigosa de espionagem e se ocupam, cada um a sua maneira e buscando cobrir suas ausências, de mais tramas para ambas as histórias: Da vida dos dois e da criada por Sylvie.

Isabelle Huppert entrega exatamente a frieza cortante, a ironia sutil e o desespero contido que o papel exige. A dinâmica com Adam Bessa funciona como contraponto ético: enquanto Sylvie vê as pessoas como peças de xadrez ficcionais, o assistente traz a carga humana e a vulnerabilidade do mundo real.
Filme segue transitando em uma ponte entre rigor e emoção
Um filme que funciona de uma forma inteligente, e que gera uma incongnita do próximo passo de cada personagem, mas graças a consagrada precisão cirúrgica na montagem de dilemas morais, Farhadi, o longa não decepciona com as consequências, com as quais, cada personagem precisa lidar.
Nota 7.











