Na 4ª matéria sobre as escolas do Grupo Especial do Carnaval Carioca, subimos o Borel, para ver a Unidos da Tijuca cantar e contar uma história marcante para o brasileiro. Principalmente, para o negro, que nos anos 60, se sentiu representado pelas facetas artísticas da homenageada da escola da Tijuca. E é com o enredo “Carolina Maria de Jesus” que a agremiação espera voltar a sorrir na quarta-feira de cinzas, conquistando mais um título para seu panteão.

História de Carolina é de resistência e representatividade
“Quem assim me vê cantando, pensará que sou feliz, eu levo a vida pensando, no homem que não me quis”. O lamento triste da canção “Quem Assim Me Vê Cantando”, de Carolina Maria de Jesus, demonstrava uma de suas facetas. Uma mulher inteligente, que além de compor e cantar, escrevia, e fazia tudo tão bem, que revolucinou a literatura brasileira. E a Unidos da Tijuca está pronta para homenagear Carolina, no Carnaval 2026, e retomar um tempo em que realmente vai cantar, não pensando, mas estando feliz e fazendo a festa do povo do Borel.

Nascida em Minas Gerais, na cidade de Sacramento, no ano de 1914, Carolina Maria de Jesus, se mudou para São Paulo, para a cidade de Franca, ainda na década de 30. De infância sofrida e de muito maus tratos na sua cidade natal, passou a trabalhar como doméstica em Franca. Mas o gosto pela leitura, e sem saber, pela escrita, já se fazia presente na sua vida.
Caderno com relatos da vida na comunidade, se torna sucesso mundial
Vivendo para o trabalho, Carolina arrumava tempo para realizar algumas anotações do que vivenciava, agora, na favela do Canindé, e tudo isso, se tornou o seu primeiro lançamento, e uma das maiores provas do quanto a educação muda as pessoas. “Quarto de Despejo – Diário de uma favelada”, foi lançado em 1960, e mudou a vida de Carolina para sempre.
A Unidos da Tijuca, promete respeitar a história de Carolina, e entregar um desfile emocinante, em um dos enredos mais celebrados do ano, que retorna às raízes da escola, e coloca tantos tijucanos tão talentosos, se sentindo representados pela escola de coração. Carolina resgata na comunidade a vontade de vencer, e de que se pode ter a certeza da capacidade de correr atrás dos seus sonhos.

Samba é um dos mais tocados e elogiados da safra 2026
Composto por Lico Monteiro, Samir Trindade, Leandro Thomaz, Marcelo Adnet, Marcelo Lepiane, Telmo Augusto, Gigi da Estiva e Juca, o samba-enredo da Unidos da Tijuca é um dos mais tocados. Com versos como “Muda essa história, Tijuca. Tira do meu verso a força pra vencer!” e “os olhos da fome eram os meus, justiça dos homens, não é maior que a de Deus”, transformam o samba em um dos mais fortes e mais emocionantes a cruzar a Marquês de Sapucaí em 2026. Confira abaixo.
Confira trecho da sinopse do enredo de 2026 da Unidos da Tijuca
“CAPÍTULO I
O primeiro capítulo da vida de nossa homenageada nos leva ao encontro de Bitita — que significa “de cor preta” na língua changana do Moçambique —, nome que carrega a lembrança de sua infância nos confins do cerrado mineiro, nas entranhas de um Brasil do início do século passado. Um cenário no qual o tempo persiste, colorido por marafantonas e congados, desenhado pelo ar incandescente que entalha o barro e doura o capim, iluminado pela fé e o fulgor dos candeeiros.
Nos braços de seu avô, Benedito — o ancestral daquelas cercanias — , aprendeu os segredos que só o tempo revela no encanto do falar e do ouvir; e nas barras das saias de sua mãe, tias e madrinhas, se entrelaçou ao poder das coisas ditas, ao espírito desconhecido das letras e palavras, aquelas as quais ela desejava conhecer. Era esse o seu universo de menina, ainda um ramo doce de uma raiz fincada na sabedoria dos mais velhos, transmitida do ontem para o hoje nos dizeres daqueles que lhe ensinavam o espírito das coisas ditas, de tudo o que ela desejava conhecer. Bitita deu lugar à Carolina quando aprendeu que para existir aos olhos do mundo era preciso ter um nome: a sua assinatura.
CAPÍTULO II
Feito rosa em coração de broto, Carolina desabrochou e compreendeu, lendo os nomes de outras flores e os silêncios nas entrelinhas, que herdara na pele e no sangue a personagem antagonista dos romances perfeitos, representante legítima de um Brasil cuja abolição fora mais literária do que real.(…)”
Leia a sinopse completa AQUI.
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Novos Intépretes e Rainha de Bateria
Ainda sob o comando de Fernando Horta, a Unidos da Tijuca fez poucas mudanças na sua equipe, mas segundo o próprio presidente, esse será “um dos maiores carnavais que a escola já fez”.

À frente da bateria, o Mestre Casagrande é grande maestro desde 2008. Já a cantora Lexa, não volta como Rainha de bateria. A escola não teve rainha em seu desfile, em respeito a cantora em 2025. Mileide Mihaile é a nova rainha de bateria, depois de 8 anos como musa da Grande Rio, escola de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Já um dos cargos mais reverenciados pelas escolas de samba, o de intérprete (ou puxador), fica com Marquinho Art’Samba, que depois de passagem pela Mangueira, assume o posto deixado por Ito Melodia. Edson Pereira, continua à frente do carnaval da escola, e prometendo muito respeito, mas ainda assim, ousadia no desfile da Tijuca no carnaval desse ano.
Escola fecha o segundo dia de desfiles
No Sambódromo do Rio, depois de falarmos de três escolas que abrem os três dias de carnaval, a Unidos da Tijuca pega o caminho contrário, fechando a segunda-feira de Carnaval do Rio, dia 16 de fevereiro, depois de ver passar pela passarela do samba as co-irmãs Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis e Unidos do Viradouro. No último ano, a Tijuca foi a 9ª colocada do carnaval carioca.

UNIDOS DA TIJUCA
Ficha Técnica:
Fundação: 31/12/1931
Cores: Azul e Amarelo
Presidente: Fernando Horta
Quadra: Clube dos Portuários – Av. Francisco Bicalho, 47 – Santo Cristo, Rio, RJ
Sede: Rua São Miguel, 430, Tijuca – Rio de Janeiro, RJ – CEP 20530-420
Barracão: Cidade do Samba (Barracão nº 12) – Rua Rivadávia Correa, nº 60 – Gamboa. Cep: 20.220-290
Telefone Barracão: (21) 98184-4106
Email: [email protected]
Imprensa: Geissa Evaristo
e-mail: [email protected]
Tel: (21) 99441-2080
Em 2026:
Enredo: “Carolina Maria de Jesus”
Carnavalesco: Edson Pereira
Diretores de Carnaval: Fernando Costa e Elisa Fernandes
Intérprete: Marquinhos Art’Samba
Mestre de Bateria: Casagrande
Rainha de Bateria: Mileide Mihaile
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Matheus Miranda e Lucinha Nobre
Comissão de Frente: Bruna Lopes e Ariadne Lax








