A Cultura Sul-Coreana dominou o Palco Mundo
A Cidade do Rock vivenciou uma virada histórica no último dia 11 de setembro de 2026. Pela primeira vez em mais de quatro décadas de trajetória, o festival abriu espaço central para a música pop sul-coreana, transformando o Palco Mundo em uma apoteose de sincronia e conexão. Longe de soar como um mero aceno mercadológico de programação, a estreia do gênero evidenciou uma força comunitária raramente vista no evento, unindo diferentes gerações sob uma mesma experiência cênica e musical.
Stray Kids e a apoteose coletiva
O encerramento liderado pelo Stray Kids confirmou com louvor o posto de atração principal da noite. Ao longo de mais de duas horas de apresentação, o octeto sul-coreano explorou ao máximo os 2.400 metros quadrados de telas em LED com coreografias milimétricas e vigor inabalável. O repertório transitou por sucessos estrondosos como “Chk Chk Boom” e “LALALALA”, além de uma bem-humorada interpretação de “Ai Se Eu Te Pego”. Em resposta, a multidão ergueu o maior lightstick ocean já registrado na América Latina, rebatizando o espaço carinhosamente de “Stay City”.

Talita Santos relata a vivência na grade
A redatora do Kolmeia, Talita Fiorelli, viveu a experiência diretamente da grade da Cidade do Rock e resumiu o impacto da noite:
“Estar na grade foi testemunhar a história sendo feita. Ver aquele mar de luzes acesas cantando cada verso em coreano, ao lado de pais e filhos que aprenderam as letras juntos, revelou a grandeza desse público. A HWASA entregou vocais viscerais bem perto de nós, e o Stray Kids transformou o festival em uma celebração coletiva inesquecível. Foi uma comunhão real, acolhedora e que derrubou qualquer barreira linguística.”
HWASA e NEXZ consolidam presença coreana
Antes do ápice, a tarde já apontava para o peso da invasão coreana no festival. O grupo NEXZ inaugurou a programação do palco principal com sincronismo técnico impecável e carisma ao arriscar saudações em português, destacando faixas como “Beat-Boxer” e “SAUCIN’”. Na sequência, HWASA reafirmou sua autoridade artística ao desfilar sucessos de sua trajetória solo, incluindo “Maria” e “Chili”. Em um gesto emblemático, a cantora desceu à grade para se aproximar da plateia, desfazendo distâncias e firmando uma troca calorosa com os espectadores.
Alok e as potências do festival
A grandiosidade do dia se expandiu pela Cidade do Rock. Alok apresentou o espetáculo “Keep Art Human”, integrando projeções tridimensionais, 45 bailarinos e uma coreografia aérea de drones que desenhou constelações tecnológicas no céu carioca. Enquanto isso, o Palco Sunset acolheu o refinamento dançante do Jamiroquai e a sensibilidade R&B de PJ Morton e Os Garotin. No Espaço Favela, a crueza melódica de Caio Luccas, Puterrier ao lado de MC Carol e a potência de MC Cabelinho completaram o retrato vibrante de uma edição plural.
A estreia do pop sul-coreano no festival comprovou que a música global contemporânea não admite mais divisões geográficas ou barreiras culturais. A presença maciça de famílias e a dedicação dos fãs sinalizam que a inclusão do estilo é um caminho definitivo para o circuito dos grandes festivais brasileiros. O espetáculo moderno alcança seu ápice quando o palco e a plateia respiram em absoluta harmonia.
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