O que você está prester a ler vai mudar tudo
Posso apostar que você se deparou com o trailer de Dia D no YouTube ou em outra rede de vídeos e ficou se perguntando o que mais Steven Spielberg teria a falar sobre um filme de alienígenas. Afinal, apesar de um trailer muito bem produzido, ele não revelava muita coisa além do colapso de uma garota do tempo falando ao vivo uma língua totalmente estranha. Contudo, quando Spielberg decide fazer um filme, as chances de a obra ser uma perda de tempo são extremamente baixas. Então, sem mais demoras, vamos à crítica de Dia D.
O mistério enigmático do trailer
Logo de cara posso dizer que o trailer, por mais enigmático que seja, funciona muito bem como um ato do próprio filme. Afinal, durante várias cenas, vemos o vídeo da apresentadora impactando várias pessoas, tal como nós ficamos ao assistir pela primeira vez. Em termos gerais, o longa cruza alguns temas para lá de explorados pelo cinema desde as décadas de 70 e 80, como arquivos secretos do governo, OVNIs, sociedades secretas e uma busca incansável pela verdade. Em paralelo, acompanhamos forças poderosas agindo para que essa verdade não seja liberada para todos. Contudo, graças à genialidade de Steven, mesmo com tantos assuntos batidos, o grande trunfo de Dia D é como toda a narrativa é construída. Cada arco é tão bem amarrado à trama principal que o ápice vai sendo construído peça por peça.
Roteiro amarrado supera deslizes bobos
O coração do filme está naquela tensão de um mundo em colapso, descobrindo de repente que, além de existir vida fora da Terra, eles já estão aqui há muito tempo e alguns humanos já fizeram contato com eles. Para para pensar: quantos filmes exploraram as primeiras horas de uma revelação dessa magnitude? E no meio disso tudo, duas pessoas começam a desenvolver “poderes especiais”. E admito, eu quase consigo perdoar David Koepp por aquele roteiro desastroso de Jurassic World | Recomeço ( ainda tenho pesadelos com aquela cena do bote inflavel que resistiu a mordida do T-rex), porque aqui ele se superou de uma forma que fica praticamente impossível tirar os olhos da tela, de tão bem amarrada que a história é. Tem algumas escorregadas bobas no roteiro, é verdade, mas no geral, ele mandou bem demais nessa.
Atuações estelares elevam a narrativa
Emily Blunt entrega uma performance de estrela realmente engraçada e hiperativa como Margaret Fairchild, empregada em Kansas City, Missouri, como apresentadora de televisão local com a típica ambição de se tornar a ancora do telejornal. No entanto, tudo muda quando ela está ao vivo, sua boca se abre e o que sai é um barulho de clique, como Flipper, o golfinho, alarmando pessoas do mundo todo. Ao seu lado temos Jackson (Wyatt Russell), que está ali para lembrar que alguns relacionamentos são piores do que uma abdução. Enquanto isso, um brilhante jovem analista de segurança cibernética chamado Dr. Daniel Kellner está arriscando sua vida para ser um denunciante em uma corporação secreta chamada Wardex. Ele é interpretado com uma expressão sacerdotal de determinação martirizada por Josh O’Connor, acompanhado por sua namorada Jane (Eve Hewson), uma ex-freira noviça lutando para alinhar sua vocação perdida com o que ela está apenas agora descobrindo.
Daniel está sendo perseguido em mente e corpo pelo sinistro supremo da Wardex, Noah Scanlon, interpretado com raiva e ternos sombriamente sob medida por Colin Firth. Mas Daniel também está em contato com o ex-chefe e colega denunciante Hugo Wakefield (Colman Domingo) que, enquanto está ao telefone para coordenar suas manobras de fuga, parece estar construindo algum tipo de palco oculto. O mais impressionante disso tudo é como todos os arcos narrativos que conectam esses personagens fazem a história avançar de uma forma com efeito dominó, ora com vários segmentos caindo ao mesmo tempo, ora convergindo para uma sequência única.
O impacto avassalador do clímax
Como se não bastasse, o clímax do filme está totalmente concentrado no seu ato final, com uma cena impactante que te fará ficar na cadeira por alguns minutos adicionais enquanto os créditos sobem, tentando entender como o tempo passou tão rápido naquela sessão de cinema. Basicamente, Dia D é o tipo de filme que faz valer a pena ir a uma sessão de cinema ou se arrepender de não ter ido assistir quando tiver contato com a obra posteriormente. O longa é a prova de que, com a equipe certa, até mesmo uma história que contém elementos para lá de batidos no cinema pode se tornar uma experiência muito bem executada. A forma como ela foi contada faz com que tudo pareça original e envolvente.
E antes de me despedir para comentar sobre esse filme com alguém que tenha assistido, vale notar que Dia D é literalmente o oposto de Imaginário – O Boneco Diabólico. Enquanto o primeiro te surpreende por ser uma história simples contada de uma forma brilhante, o segundo te traumatiza por um completo vazio de criatividade, mesmo tendo excelentes referências de histórias simples.
O veredito final sobre a obra
Dia D reafirma a maestria inquestionável de Steven Spielberg ao transformar clichês desgastados da ufologia em um suspense contemporâneo eletrizante e cheio de alma. Ao amarrar arcos complexos em um desfecho arrebatador, o longa prova que a boa execução ainda é o elemento mais valioso de Hollywood. Esta obra dita uma nova tendência para as produções de ficção científica, mostrando que o verdadeiro impacto do gênero não está nos efeitos visuais, mas no reflexo humano diante do desconhecido. Spielberg mostra que a verdadeira magia do cinema não reside no segredo revelado, mas na jornada hipnotizante da descoberta.
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