A trilogia Rua do Medo, sem dúvidas, foi uma das produções mais inovadoras lançadas atualmente pela Netflix. Primeiramente por conta do formato de trilogia lançada por semana. Dessa forma, o público tinha aquela ansiedade boa entre um filme e outro. Entretanto, sem precisar esperar anos pela sequência. Além disso, a trama também é super envolvente e inovadora. Afinal, foi necessário contar a história de frente para trás a fim de solucionar o mistério envolvendo Shadyside e Sunnyvale. Nesse percurso, acompanhamos a história do acampamento Nightwing em 1978 e o enforcamento de Sarah Fier em 1666. Contudo, sem perder de vista a história de Deena e Sam.

Além do mais, Rua do Medo usou o gênero de terror slasher e brincou bastante com ele. Primeiro porque a trilogia funcionou como tributo aos clássicos do gênero, como Pânico, Halloween e Sexta-feira 13. Segundo, porque não mostrou uma assassino em série, mas vários. E inovou também ao acrescentar elementos místicos, enquanto constrói uma cronologia muito bem desenvolvida.
Por falar na cronologia, o Kolmeia organizou tudinho para você, é só acessar Rua do Medo: confira Linha do Tempo da trilogia da Netflix. E olha que temos o mérito de termos desvendado o maior segredo de Shadyside antes do lançamento de 1666. A prova está em: Sarah Fier pode não ser a vilã da trilogia Rua do Medo.
O sucesso da trilogia Rua do Medo
Um fato inquestionável sobre Rua do Medo é que está fazendo muito sucesso. Afinal, nas redes sociais não param ser surgir fanpages e hashtags sobre o assunto. Além disso, o Filme 1666, terceira parte da trilogia, atingiu o Top2 no ranking da Netflix Brasil. De fato, um dos principais motivos para se continuar uma história é o sucesso dela e a capacidade de gerar stream. Entretanto, esse motivo pode não ser o bastante.

Mas há outro fator positivo para a continuidade da história: Os Goosebumps. Trata-se da série de livros do autor R. L. Stine que serviu de base para Rua do Medo. A coleção é enorme e fez muito sucesso, vendendo mais de 350 milhões de cópias e se tornando a segunda série de livros mais vendida no mundo, perdendo apenas para Harry Potter. A obra de Stine, além de ter um grande sucesso comercial, tem muito conteúdo para servir de inspiração para outras produções. Ou seja, da fonte em que a roteirista Leigh Jeniak bebeu para escrever os filmes, pode sair muito mais coisa interessante. Entretanto, Os Goosebumps tendem a mudar os personagens de um livro para o outro. Então, não necessariamente, veremos os mesmos personagens caso seja feita uma nova trilogia de Rua do Medo.
O Mal nunca acaba
O final do filme 1666 também pode ser um indício de continuidade da história. Afinal, na cena pós-créditos da parte 3, o livro do demônio esquecido por Sam e Deena é roubado por um personagem não mostrado. Na verdade, só o fato de haver uma cena pós-créditos em um filme já é um indicativo de interesse em dar continuidade àquele universo. Ainda mais quando a tal cena deixa uma pergunta sem reposta na cabeça do expectador.

Porém, é importante se ater ao fato que um ciclo foi devidamente concluído. Ao final da trilogia Rua do Medo, a maldição sobre Shadyside foi quebrada. Também já não é mais possível culpar Sarah Fier pelos assassinatos em série. Esse tipo de encerramento é muito comum em filmes de terror: fecha-se um ciclo, mas se deixa uma brecha. No caso, a maldição foi quebrada, mas a origem dela ainda existe. Esse tipo de estratégia pode servir de pontapé para uma continuação, como também pode ser uma lembrança de que o mal nunca acaba. Até porque uma história que visa causar medo no público, pode perfeitamente deixar uma pista que leve o expectador a crer que nunca estará tudo seguro.
Ou seja, não há uma obrigação de que a Netflix responda quem pegou o livro do demônio. Entretanto, como a empresa não é boba, dificilmente isso foi colocado ali por nada. Ainda mais que o apelo do público para saber a resposta está enorme.
Afinal, Rua do Medo vai ou não ter continuidade
Embora muitos indícios apontem para o sim, ainda não há nenhuma posição oficial da Netflix sobre o assunto. Até porque, trata-se de um lançamento muito recente e num formato nunca usado antes. Portanto, a plataforma de streming precisa ter cautela para não acontecer de confirmar uma renovação de título e posteriormente desistir, o que já houve antes.
A continuidade é realmente uma boa ideia?
Na verdade, depende. Ás vezes, para se responder uma única pergunta pendente (quem pegou o livro do demônio?) se faz um novo filme (ou trilogia) com qualidade infinitamente inferior ao antecedente. Essa é uma preocupação sobre uma suposta sequência de Rua do Medo. Afinal, Leigh Jeniak conseguiu algo bem difícil que foi pegar um terror adolescente do gênero slasher, algo super batido e construir um produto muito inovador e ainda com autoconsciência e easter eggs bem feitos.
De fato, o formato trilogia de filmes lançados semanalmente é uma ideia incrível para a Netflix, em contraponto com as séries que têm as temporadas lançadas de uma vez só. Certamente, é algo que pode ser mantido. Mas a cronologia inversa, por exemplo, caso seja usada em uma sequência pode soar como fórmula repetitiva. Então, a autora teria um desafio bem grande de conseguir novamente uma obra surpreendente e inovadora.

Quanto aos personagens, Sarah Fier já foi inocentada perante o público e ainda conclui sua vingançã contra a Família Goode. Então não faria sentido voltar a 1666. Além disso, os sobreviventes do Acampamento Nightwing já estão na casa dos 30 anos, então não faz sentido protagonizarem um filme de terror adolescente. Até porque a única nascida em Shadyside entre eles é C. Berman, a Ziggy. Então, no caso, sobrariam Sam, Deena e Josh para protagonizar novamente uma suposta nova trilogia, mas isso custaria uma nova maldição sobre Shadyside.
Paz para a cidade
Outro ponto importante a se considerar é que Shadyside viveu 300 anos sob uma maldição. Agora que os moradores finalmente teriam um pouco de paz, seria cansativo ver um novo pacto satânico tornando-os reféns mais uma vez. Mesmo que o preço seja não descobrir quem pegou o livro do demônio. É possível simplesmente comprar a ideia de que o livro ser roubado apenas quer dizer que o mal nunca morre. Ou, quem sabe, o exemplar foi roubado por alguém que sequer apareceu na história e que procurava pelo livro para desfazer outra maldição lançada antes de 1666 em outra cidade, com outros personagens?
De qualquer forma, a trilogia Rua do Medo vai deixar saudades. Até porque que a história contada jamais será a mesma! Agora, o Kolmeia quer saber o que você acha: você quer uma continuação de Rua do Medo ou teme que uma sequência estrague a história? Conta pra gente nos comentários.
Aproveita para ouvir nosso podcast sobre a Trilogia em: Ep 06 – Rua do Medo (Parte 1) – Porque os dois primeiros filmes surpreendem tanto? – Kolmeia Talk | Podcast on Spotify