O BTS faz seu tão esperado comeback com ARIRANG explorando novos estilos e proporcionando novas experiencias sonoras, o grupo trabalhou com diversas personalidades da música internacional para entregar um misto entre RAP, Rock, POP e combinações interessantes de elementos tradicionais coreanos em 14 faixas que tem o objetivo de dar uma linguagem sonora moderna do K-pop aos ouvintes.

Como grande amante da discografia do grupo, foi difícil em primeiro momento poder pontuar tantas questões abordadas nesse álbum, desde sua promoção inicial a ansiedade por parte do fandom em poder ter de volta tudo que circunda a atmosfera do BTS, tudo pode ter sido visto como frenesi, mas na verdade o que vemos aqui é o retorno de um dos maiores grupos da história da música e em 10 dias já se passado é mais fácil mensurar o tesouro que temos em mãos.
Sobre o início: WHAT IS YOUR LOVE SONG? e SWIM
A promoção de Arirang começou basicamente junto ao Valentine’s Day (24/02), dia dos namorados no mercado internacional, e com isso a sacada da BigHit, produtora do grupo, foi trazer um questionamento aos fãs: WHAT IS YOUR LOVE SONG? (Qual a sua música de amor?). Foram apenas pequenas ações espalhadas pelo mundo, como flores distribuídas por Londres, Coréia do Sul e Los Angeles e milhares de posts nas redes sociais que movimentaram esse comeback misterioso por parte do BTS e que com certeza inflou a ansiedade em todo o fandom em volta do globo. Esse para mim, era um bom momento para o lançamento de um single, engajamento nas alturas, a curiosidade por parte de todo mundo em cima de um questionamento tão simples, mas não foi bem assim que a produtora pensou. Quase um mês após a ação e enfim a data de lançamento do álbum completo, 20 de março, recebemos com ele o single SWIM e por mais que seja uma linda música de amor, não me convenceu, mas tenho como me explicar.
SWIM com certeza é uma declaração de amor a quem quiser interpretá-la e pode ter vários caminhos, dependendo do se tem no coração. Para mim, foi uma declaração de amor ao fandom que mesmo estando tanto tempo sem o grupo ao lado fisicamente falando, os trás no coração em todos os momentos de sua vida, seja nos mais tristes, difíceis e nos felizes, o BTS está ali com você, trazendo o afago que se é preciso através da sua música. O clipe do single traz essa visão e é lindo demais. Mas para mim, a música não consegue traduzir a grandeza que se esperava nesse primeiro impacto junto ao álbum e por isso acredito que esse single deveria ter sido lançado lá no Valentine’s Day, com certeza o impacto para mim seria diferente e iria condizer com tudo que esperava, porque para mim o dia 20 de março não era apenas sobre o amor e sim sobre onde Arirang iria me transportar nessa nova jornada do grupo, e no primeiro play, o impacto que eu esperava estava lá.
O que há de melhor?
Body To Body: é ouro, apenas.
Sem dúvida alguma Body to Body é o destaque desse álbum. Além de ser uma abertura poderosa e cheia de personalidade, a intro carrega em si o peso de simbolizar o próprio título do álbum sampleando a música tradicional coreana “Arirang”. Body to Body foi construída de forma muito cuidadosa por parte do grupo e isso ficou bastante claro no documentário da Netflix “BTS: O Reencontro”. A maior dúvida do grupo em questão era em como trazer um símbolo tão específico e tradicional de um povo para dentro de uma música a ser apresentada em contexto global o que é bastante delicado e cabível de preocupação.
Embora o BTS demonstre intenção de valorização cultural, a transformação de um símbolo nacional em produto de consumo global pode gerar diversas tensões, especialmente entre preservar a autenticidade e atender às demandas da indústria cultural. Mas o resultado para mim foi simplesmente único, Body to Body traz uma releitura impactante e que te transporta para o que realmente se esperava desse comeback. A música traz potência e evidência a difusão cultural, representa as tradições profundas em um cenário marcado pela globalização e mostra a que o BTS voltou, para IMPACTAR.
Hooligan: Aqui tem Rapline sim senhor!
Uma grata surpresa neste álbum é a faixa Hooligan, com uma batida pesada e cheia de efeitos sonoros, a faixa traz consigo um gostinho de inovação e a energia com o tom de provocação que o ARMY tanto gosta. O termo “Hooligan” remete a rebeldia, desordem e é essa ideia que se reflete na construção dessa música. As batidas marcantes e o clima mais intenso, criam uma atmosfera de confronto e quando chegamos ao pequeno refrão cantado pela vocal line, temos o ápice.
Há algo pra se considerar pior?
Estrutura do álbum
A estrutura musical de Arirang me parece em primeiro momento dividida em duas partes, o Pré No. 29 e o Pós No. 29. No pré, temos uma atmosfera pesada, dominada pela Rap Line, não há sutileza, apenas a famosa chuva de pedradas para se ouvir uma atrás da outra e então temos o silêncio. Simbolizada em uma faixa de exatamente 1:38 minutos, temos aqui uma música que não nos traz apenas estranheza, mas sim um significado que precisa ser pesquisado e entendido.
No.29 é uma faixa importante e que faz sentido, se você quiser buscar sobre. O pós é iniciado por SWIM e então temos a calmaria, conseguimos ver aqui uma maior difusão e uso da Vocal Line e é aqui que o álbum se torna algo completamente experimental e bastante diferenciado. Mas o porquê isso é ruim? Na verdade, não é, apenas gera em primeiro momento estranheza e que depois de um tempo e novas visitas à esse álbum completo e sendo ouvido em sequência se dissipam. Mas não vou mentir não, Into The Sun não foi uma boa forma de se fechar o álbum.
Num Geral Arirang é MUITO BOM
Arirang brinca com diversas referências musicais presentes em antigos trabalhos do grupo e percorre com muita sutileza entre muitos toques de destaque na carreira individual de cada um dos integrantes. É nítida a presença da produção dirigida pela Rap Line, o que não desfavorece em nada a Vocal Line, ainda que na minha humilde opinião poderia ser mais bem utilizada em sua potência.
É interessante ver como moderação é a palavra que circunda esse trabalho, é um álbum sem muitos exageros e que traz uma proposta de desacelerar com o passar das faixas. É inteligente e diferenciado à sua maneira. Mostra um pouco mais de maturidade em suas entregas e pelo que vimos no documentário da Netflix, realmente foi um álbum pensado para gerar esse sentimento.
Arirang com certeza é um álbum que veio para ficar e que é diferente a cada vez que é ouvido por completo. Por mais que em minha visão seja um álbum de transição entre o BTS do Kpop e o BTS potência global, esse é um álbum que mostra sim o crescimento exponencial de um grupo que tem confiança plena em si e em sua autenticidade, e que assina em pedra que indiferente do que for, eles sempre serão os garotos do interior da Coréia do Sul que correram e batalharam muito por seus sonhos e sim, eles conseguiram!
TOP 5 Favoritas do Album
1 – Body to Body
2 – Hooligan
3 – One More Night
4 – Like Animals
5 – FYA









