Como o clipe une funk e espiritualidade
O tabuleiro da música pop brasileira acaba de ganhar mais uma peça estratégica e profundamente simbólica. Nesta quinta-feira (23), Anitta liberou o audiovisual de “Meia-Noite”, consolidando o que já podemos chamar de sua fase artisticamente mais corajosa. Se em “Desgraça” fomos introduzidos ao caos e à urgência, aqui a narrativa de EQUILIBRIVM entra em seu segundo ato, batizado de “FÉ E FESTA”. O clipe não é apenas um suporte visual, mas um manifesto que conecta o asfalto do funk carioca aos terreiros de candomblé.
A faixa “Meia-Noite” é um ponto de intersecção. De um lado, a batida eletrônica e o grave dos paredões; do outro, a reverência a Exu e Pombagira. Para Anitta, a rua e a noite são territórios de poder. No vídeo, essa força é materializada por um círculo de atabaques que envolvem sistemas de som que parecem brotar da terra. A presença de alguidares em chamas não é meramente estética; é uma representação de proteção e ritualística que transforma o entretenimento em uma experiência de imersão cultural.
A potência do corpo e da dança
O visual ganha peso com a presença de Mayara Lima, rainha de bateria da Paraíso do Tuiuti, cujo domínio corporal dialoga diretamente com a coreografia de Luciana Xavier. O movimento aqui bebe na fonte do maculelê — dança de resistência quilombola — e nos arquétipos dos orixás. É um trabalho de tradução: o corpo de Anitta e de seus bailarinos vira a ponte entre a tradição secular afro-indígena e o contemporâneo globalizado.
Quem são os criativos por trás do projeto
A coesão visual de EQUILIBRIVM passa pelo crivo de Nídia Aranha, diretora criativa que tem buscado integrar o pop a artistas plásticos de relevância. Em “Meia-Noite”, o destaque são as obras de Rafa Chaves, cujos totens de terracota reforçam a conexão com o elemento barro. Felipe Britto, da Ginga Pictures, reforça que a premissa foi o respeito. Não se trata de usar a religião como figurino, mas de construir uma narrativa onde a consultoria e a presença de quem vive essa cultura sejam a base de cada frame.
Um álbum de colaborações grandiosas
Lançado há uma semana, o oitavo disco da carreira de Anitta é uma colcha de retalhos bem acabada. Com participações que vão de Shakira a Luedji Luna, passando por Liniker e Rincon Sapiência, o trabalho é uma investigação sobre a identidade brasileira. Das 15 faixas, cada uma parece destinada a explorar um nicho da nossa vasta diversidade rítmica, sempre sob a ótica do empoderamento e da fé.
Cronograma de Lançamentos: Álbum EQUILIBRIVM
Confira agora o clipe Meia-Noite
Anitta utiliza “Meia-Noite” para provar que o amadurecimento artístico exige o retorno às origens e a coragem de pautar a espiritualidade no centro do pop. O audiovisual reafirma a música como ferramenta de transformação social e resgate ancestral, elevando o patamar estético de sua videografia. Com um cronograma rigoroso de lançamentos pela frente, a expectativa agora gira em torno do terceiro ato, “DEUS MÃE”. O equilíbrio prometido no título parece, enfim, ter sido encontrado na fusão entre o sagrado e o profano.
Para acompanhar os desdobramentos dessa narrativa e não perder nenhuma análise sobre os próximos atos de EQUILIBRIVM, continue de olho no Kolmeia e siga nossas atualizações nas redes sociais. A cultura pulsa aqui.










