Estreando nos cinemas brasileiros em 16 de abril de 2026, “Vidas Entrelaçadas” (Couture), novo filme de Alice Winocour, chega cercado de expectativa após sua estreia no Festival Internacional de Toronto de 2025. Ambientado na efervescente Paris Fashion Week, o longa aposta em um olhar mais intimista sobre o universo da moda, não o glamour das passarelas, mas os bastidores carregados de histórias pessoais, dores silenciosas e conexões improváveis.
Angelina Jolie entrega um dos melhores papéis da carreira
A trama acompanha três mulheres de origens e trajetórias distintas: Maxine, uma cineasta americana interpretada por Angelina Jolie; Ada, uma jovem modelo sudanesa vivida por Anyier Anei; e Angèle, maquiadora nos bastidores dos desfiles, interpretada por Ella Rumpf. Embora o roteiro proponha um entrelaçamento entre essas histórias, é inegável que o grande destaque do filme recai sobre Maxine.
Em um dos papéis mais sensíveis de sua carreira, Jolie entrega uma performance contida, mas profundamente impactante. Sua personagem enfrenta um diagnóstico de câncer de mama enquanto tenta manter o controle sobre sua própria narrativa (pessoal e profissional). Há uma camada adicional de autenticidade na atuação, considerando o histórico familiar da atriz com a doença e sua decisão pública de realizar uma mastectomia preventiva. Essa vivência parece transbordar em tela, trazendo uma carga emocional genuína que sustenta o filme em seus momentos mais introspectivos.

Leia também: Mirai: Crescer também dói (e às vezes a gente só percebe depois)
Histórias secundárias ficam em segundo plano
Por outro lado, “Vidas Entrelaçadas” peca ao não equilibrar melhor suas protagonistas. Embora Ada e Angèle tenham histórias com potencial (especialmente a trajetória de fuga e reinvenção da jovem modelo sudanesa) suas narrativas acabam ficando em segundo plano.
O filme sugere uma conexão entre essas mulheres, mas não desenvolve plenamente essa interseção, deixando a sensação de que duas histórias promissoras foram subaproveitadas.
Ritmo contemplativo pode dividir o público
Outro ponto que pode gerar opiniões divergentes é o ritmo. A escolha de Winocour por uma narrativa mais contemplativa, focada em silêncios e atmosferas, contribui para a construção emocional, mas também torna o longa um pouco arrastado em determinados momentos.
Para alguns espectadores, isso pode enriquecer a experiência; para outros, pode dificultar o envolvimento com a história.
Vale a pena assistir “Vidas Entrelaçadas”?
Ainda assim, o filme se destaca pela proposta de olhar além da superfície da indústria da moda. Ao explorar os bastidores da Paris Fashion Week, Winocour revela um universo onde vulnerabilidade e performance coexistem. Um contraste que funciona bem como pano de fundo para as jornadas pessoais das personagens.
No fim, “Vidas Entrelaçadas” é um drama sensível e bem intencionado, que encontra sua força principalmente na atuação de Angelina Jolie. Mesmo com falhas no desenvolvimento de suas histórias paralelas e um ritmo irregular, o filme entrega momentos de genuína emoção e reflexão sobre identidade, corpo e pertencimento.
Para quem busca um olhar mais humano sobre o universo da moda (e uma atuação marcante de Angelina), é uma estreia que vale a atenção.







